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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Rodinei corre no Fla para cavar o nome de Tatuí no mundo

Em conversa leve, lateral revela singularidades da terra onde nasceu, a "Capital da Música". Camisa 2 revela deslumbramento na curta passagem pelo Corinthians

Por Rio de Janeiro
Natural de Tatuí-SP, Rodinei já teve um lugar ao sol no Corinthians, mas não aproveitou. O próprio diz que faltou maturidade. Precisou recomeçar e, assim como o pequenino crustáceo que empresta o nome à cidade onde nasceu, cavou fundo até surgir numa praia onde o horizonte é promissor. O Flamengo é a maior oportunidade da carreira, e, aos 24 anos, o lateral-direito começa a ganhar espaço no coração dos rubro-negros com muita velocidade e vigor físico. No último domingo, no Fla-Flu, foi cirúrgico no cruzamento para o gol de Guerrero, o que definiu a partida em 2 a 1, e ele garante: não vai parar por aí. (confira parte do papo no vídeo acima)
- O lateral tem que ter as qualidades no cruzamento. A posição já diz: lateral tem que ir bem pelo fundo. Mas as minhas características sempre foram de bastante força, vigor físico e também um bom cruzamento. Por isso que procuro treinar bastante para chegar nos dias de jogos e caprichar bem em relação a cruzamento e passe para gol - disse.
Muricy diz "bota na frente que o neguinho corre". Mas nem só de correria vive Rodinei. O gol do peruano nasceu de muito treino, mas também de conversa.

- Aquela jogada de primeiro pau eu já havia conversado com ele dias antes do jogo, porque o Guerrero está entrando bastante na área. E aquela bola no primeiro é difícil, tanto que o Henrique (do Flu) teve dificuldades de se antecipar ao Guerrero, porque o Guerrero é um cara forte e rápido. E a gente treina bastante. Graças a Deus consegui botar a bola na cabeça dele, que conseguiu fazer esse gol para a gente sair com a vitória. 
Montagem RODINEI Flamengo (Foto: infoesporte)Rodinei Marcelo de Almeida usa um brinco com a inicial de cada um dos nomes (Fotos Raphael Zarko/arte: infoesporte)
O destaque alcançado nesses quase três meses de Flamengo sobretudo tem a ver com seu futebol, mas o atleta também é bom de entrevistas. Engraçado, dá show quando começa a falar da "amada" Tatuí. Confira abaixo a aula sobre a cidade natal e também um relato mais sério, sobre o fato de não ter aproveitado oportunidade no Corinthians. Família, treinadores e o estilo brincalhão dão o tom do bom papo com o GloboEsporte.com.

Como foi o início em Tatuí?

Em Tatuí eu comecei em escolinha, mas na verdade eu comecei a jogar bola na base só com 17 anos. Hoje estou com 24 e primeiro terminei os estudos em Tatuí, minha cidade querida, que eu amo (risos). Tem que dar uma moral sempre para Tatuí.

Quantos habitantes tem sua cidade?

Aí você tem que pesquisar no Google (risos). Deve ter uns 150 mil habitantes (segundo o site da prefeitura, são 109 mil habitantes). Fico brincando com o Alan Patrick, que é de Catanduva, e falo que Tatuí é mais fera. Mas Tatuí não tem nem um McDonalds, mas está saindo (risos), está saindo o shopping também.

(Assessor lembra da árvore de Natal) Que mais tem na cidade?

Tem uma árvore de Natal que queimou, mas que é qualidade (risos). Tatuí é a capital da música, tem o melhor conservatório da América Latina e suas qualidades também. É uma cidade muito bacana.
Fico brincando com o Alan Patrick, que é de Catanduva, e falo que Tatuí é mais fera. Mas Tatuí não tem nem um MC Donalds, mas tá saindo (risos), tá saindo o shopping também". 
Rodinei,o guia turístico de Tatuí-SP
Capital da música? Você está dando uma aula sobre Tatuí.

Ô, irmão, pesquisa lá no Google. É só pesquisar. É o melhor conservatório da América Latina. Tem flauta, violino, essas coisas de orquestra para se aprender. Eles ensinam a tocar piano. Não é muito meu forte orquestra, mas se você está por fora vai no Google que você vai achar.

*O GloboEsporte.com aceitou a sugestão de Rodinei, foi ao Google e encontrou as seguintes informações, retiradas da Wikipedia: "O Conservatório Dramático e Musical Doutor Carlos de Campos, o Conservatório de Tatuí, é a maior escola de música da América Latina e oferece de forma gratuita 47 cursos diferentes. Forma instrumentistas, cantores, atores e "luthiers", especialistas na construção de instrumentos de cordas beliscadas. É reconhecida como "Capital da Música" por lei estadual.
Pensei: "poderia ter levado mais a sério no Corinthians e ficar bem". Mas hoje, graças a Deus estou no Flamengo, representando essa nação. Pode ver que brinco nas entrevistas, no lado de fora, mas dentro de campo não tem brincadeira".  
Rodinei
Lições de passagem brevíssima pelo Corinthians sem sucesso.

No Corinthians cheguei de empréstimo de um ano que eu vim do Avaí. O que falo do Corinthians em relação a brincadeiras, eu tinha 20 anos. Foi em 2012, aí ia para o rachão e para trabalhos sempre querendo brincar e entrar na onda dos mais experientes, como Sheik e Guerrero. Sempre era um menino empolgado, porque o Corinthians foi meu primeiro time grande. Eu fiquei deslumbrado, comecei a pensar que as coisas eram daquele jeito, mas realmente não eram. Eu tinha que trabalhar mais sério, e isso eu aprendi muito lá no passado com meus erros. Do Corinthians fui para o Avaí, depois fui jogar uma Série C. Pensei: "poderia ter levado mais a sério no Corinthians e ficar bem". Mas hoje, graças a Deus estou no Flamengo, representando essa nação. Pode ver que brinco nas entrevistas, no lado de fora, mas dentro de campo não tem brincadeira. Eu sei da responsabilidade que tenho com essa camisa e, graças a Deus, está dando tudo certo. Estou com foco na minha carreira e espero cada vez mais conseguir coisas maiores.

Você casou - com Thayna - no fim do ano passado. Isso ajuda também a focar né?

Sim, casei no dia 11 de dezembro. Ajuda, graças a Deus aconteceu esse milagre na minha vida de casar (risos). Ajuda ter uma esposa companheira lá em casa, sempre ajudando e sempre também cornetando, que é sempre bom. Aqui no Flamengo não me cornetou, mas na Ponte dava umas cornetadas. Ela é bem tranquila, e isso é importante para ficar concentrado no que faz.
Rodinei Flamengo entrevista (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)Rodinei tem ido bem na hora de encarar os microfones nas entrevistas coletivas (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)
Você trabalhou com Muricy e Tite, dois dos mais badalados técnicos do Brasil. Dá para fazer um paralelo, mesmo tendo trabalhado pouco com o Tite?

Os dois treinadores são excelentes. Com o Tite aprendi muita coisa no Corinthians em relação a posicionamento, porque você vê o time do Corinthians jogando com posicionamento da linha de quatro. É a mesma coisa que Muricy pede para a gente. Aprendi bastante coisa com ele lá, fiquei sete meses no profissional, e agora com o Muricy graças a Deus estou jogando, tendo oportunidades e a cada dia aprendendo mais. Quando faço alguma coisa errada, ele vem e me cobra, mas espero que continue me dando moral aí nesse ano. Se Deus quiser tudo vai dar certo até o fim do ano para a gente conquistar grandes coisas.

Você é bem descontraído, brinca com todo mundo. Já dá para dizer que conquistou todo mundo no Flamengo?

Não é questão de conquistar, meu jeito sempre foi de brincalhão, de fazer os outros rirem e sempre com essa humildade. A cada dia a gente vai pegando confiança de cada um. Gosto de brincar com todo mundo, nunca estou de cara feia, independentemente de problema. Problema deixa para fora, aqui você tem que ter alegria. Lógico que têm momentos ruins, e o cara tem que dar uma afastada de brincadeiras, mas enquanto o clima está bom a gente vai brincando e sorrindo. Levamos isso para dentro de campo, não posso ver ninguém de cabeça baixa. Ontem (domingo) deu para ver a alegria do nosso time, que está se acertando cada vez mais.
Gosto de brincar com todo mundo, nunca estou de cara feia, independentemente de problema. Problema deixa para fora, aqui você tem que ter alegria".  
Rodinei
Como foi na sua cabeça ter uma nova oportunidade em time grande? Você disse que não podia falhar novamente, falou das muitas câmeras na apresentação. Pensou nisso tudo?

Não é questão de não poder falhar. Antigamente no Corinthians e em outros times eu levava as coisas muito na brincadeira. Mas aqui quando cheguei no Flamengo sabia da oportunidade que estava tendo e também sei que estou aqui pela minha qualidade. Fiz um bom Brasileiro pela Ponte Preta e, graças a Deus, estou conseguindo ajudar muito o Flamengo a conquistar grandes coisas. Em relação a pressão e torcida, eu sabia que ia ter muito. Lógico que todo jogador tem friozinho na barriga, mas tem que ter personalidade. Apesar de ter 24 anos, estou jogando num grande clube como o Flamengo. Em relação à torcida falar muito de Léo Moura, eu vim aqui para conquistar meu espaço, Léo Moura é ídolo, eu também sou grande fã do Léo Moura, mas eu sou Rodinei. Não quero comparação e vou continuar nesse futebol até o fim do ano para conquistar grandes coisas.

O que você fala para a torcida sobre seus projetos no clube? É de fazer gol?

Do começo ao fim do ano vão ver um jogador de muita raça e vontade, agora gol só de vez em quando (risos). Meu forte não é muito fazer gol. Pelo meu vigor físico, tenho mais facilidade de chegar ao fundo. Vou caprichar mais nos cruzamentos para Guerrero e Sheik fazerem os gols, mas eu fazer vai ser mais difícil. Fiz aquele gol contra a Portuguesa em um zagueiro (o defensor Fernando, ex-Fla, foi para o gol após expulsão do goleiro Márcio), mas graças a Deus já posso dizer que tenho meu primeiro gol pelo Flamengo. Podia ser quem fosse, o gandula, entrou a bola na rede e está lá a marca do meu gol, que foi para a minha esposa e Tatuí.

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