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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Filme com locações em Tatuí imtegra festival do Rio 2026

"Pai de primeira viagem", dirigido por Mariana Youssef, com Murilo Benício, Kevin Vecchiato, Leandra Leal e Clarice Abujamra no elenco, terá estreia mundial na Première Brasil - Hors Concours.


24/09/2026 às 14h29 |  Tatuí estará representada no 28º Festival do Rio por meio do longa-metragem “Pai de Primeira Viagem” (Comeback Dad), dirigido por Mariana Youssef, que teve cenas gravadas em locais como a Praça de Alimentação Municipal, o boliche, o Hotel Del Fiol, a Paróquia Santa Cruz, a Associação Atlética XI de Agosto e alguns trechos de estradas rurais do município, além de contar com a participação de tatuianos na produção. A obra, uma ficção de 110 minutos, terá sua estreia mundial na Première Brasil - Hors Concours, mostra que integra a programação do festival, a ser realizado de 1º a 11 de outubro de 2026.

O filme acompanha um comediante e seu filho de 17 anos que partem em uma viagem de última hora. Em meio a conflitos e diferenças, os dois precisam aprender a enxergar o mundo pela perspectiva um do outro para conseguirem se entender. No elenco estão Murilo Benício, Kevin Vecchiato, Leandra Leal e Clarice Abujamra.

A Première Brasil é considerada pelo próprio Festival do Rio a principal vitrine do cinema brasileiro. Em sua 28ª edição, a mostra reúne 110 filmes, selecionados entre quase 1.500 longas e curtas-metragens inscritos, contemplando diferentes narrativas, linguagens, gêneros e formas de produção do audiovisual nacional. A programação também promove encontros entre público, realizadores e profissionais do setor, além de atividades voltadas ao mercado audiovisual.

Segundo o secretário-adjunto de Cultura, Rogério Vianna, a realização reforça a vocação cultural do município e abre novas possibilidades para a valorização de Tatuí por meio do audiovisual. “É motivo de orgulho para Tatuí fazer parte de uma produção como ‘Pai de Primeira Viagem’ e, agora, acompanhar a chegada do filme ao Festival do Rio. A presença de nossa cidade na obra valoriza nossos espaços, nossa identidade e demonstra o potencial que temos para receber produções audiovisuais e aproximar nossos talentos desse importante segmento da indústria criativa”.

Além de contribuir para a divulgação de Tatuí em diferentes regiões do país, a participação do município em uma produção cinematográfica de alcance nacional reforça sua vocação como território de cultura e criatividade, podendo ampliar o interesse por seus espaços, sua história e suas manifestações culturais.

domingo, 27 de setembro de 2026

Eleições 2026: saiba como justificar o voto pelo celular no 1º turno

Quem estiver fora do domicílio eleitoral pode justificar pelo e-Título no mesmo horário da votação (8h às 17h) ou, presencialmente, na seção eleitoral; 1º turno será em 4 de outubro



25/09/2026 |  O eleitor ou eleitora que estiver fora do seu domicílio eleitoral em 4 de outubro, data do 1º turno das Eleições 2026, poderá justificar sua ausência às urnas diretamente pelo celular, com o aplicativo e-Título, sem necessidade de se deslocar a qualquer local de votação nem ficar em eventuais filas nas seções eleitorais.

Vale ressaltar que a justificativa on-line somente será processada das 8h às 17h (mesmo horário da votação) e se a pessoa realmente estiver fora do município em que está habilitada a votar. Não é necessário anexar comprovante para a justificativa no dia do pleito.

A justificativa pelo e-Título ocorre por meio de um recurso de geolocalização, comprovando que a pessoa não está na cidade em que deveria votar. Para isso, o eleitor deve manter a localização do celular ativada e compartilhá-la com o aplicativo.

Para justificar a ausência às urnas com o e-Título, é importante ter certeza de que o aplicativo já está atualizado. O app desenvolvido pela Justiça Eleitoral está disponível de forma gratuita para dispositivos Android e iOS. A funcionalidade só está disponível para eleitores que estão com o título em situação regular.

Justificativa presencial

No dia do pleito, quem não tiver acesso ao e-Título, pode justificar a ausência de forma presencial, por meio do formulário de Requerimento de Justificativa Eleitoral.

A eleitora ou eleitor pode apresentar justificativa de ausência com formulário a qualquer Mesa Receptora de Votos — exceto as instaladas nos estabelecimentos penais e em unidades de internação de adolescentes — ou Mesa Receptora de Justificativa, instaladas em alguns locais de votação no estado. Além do formulário, o eleitor deve apresentar documento de identidade com foto. No dia do pleito, somente a própria pessoa pode justificar sua ausência.

Como justificar após a eleição

Após as eleições, as justificativas podem ser apresentadas em até 60 dias após o 1º turno no Autoatendimento Eleitoral, ou seja, sendo encaminhadas até 3 de dezembro. Neste caso, é possível utilizar o Sistema Justifica ou o e-Título. A solicitação deve conter documentos que comprovem o fato que impediu o comparecimento às urnas. A justificativa ainda pode ser feita de forma presencial, em cartórios eleitorais, ou por meio de envio postal ao juízo da zona eleitoral (consulte os endereços). Em eventual 2º turno (25 de outubro), a eleitora ou eleitor terá até 8 de janeiro para justificar a ausência às urnas.

Mesmo quem está com o título cancelado pode apresentar justificativa após as eleições. A solicitação deve ser feita pelo Autoatendimento Eleitoral, uma vez que não é possível utilizar o aplicativo e-Título nesse caso, pois somente o eleitorado com título regular ou suspenso pode acessá-lo. Assim, quando o eleitor ou eleitora regularizar a situação, após a reabertura do cadastro, não precisará pagar a multa referente a essa ausência às urnas, se a justificativa for aceita pela zona eleitoral.

Eleitor no exterior

Quem estiver no exterior no dia da eleição também pode apresentar a justificativa de ausência pelo e-Título ou nas mesas receptoras de votos no exterior que funcionem com urna eletrônica. Serão aceitas as justificativas de pessoas com título no Brasil que estejam no exterior no dia da eleição e de pessoas com título da Zona Eleitoral do Exterior (ZZ) que estejam fora de seu domicílio eleitoral na data de eleição presidencial.

As pessoas com domicílio eleitoral no Brasil e que estavam no exterior no dia do pleito terão 30 dias após o retorno ao país para justificar. Nessa situação, será necessário comprovar a estadia no exterior, com passagens, cartões de embarque, carimbos no passaporte ou outros documentos válidos.

Multa

Caso a justificativa não seja deferida ou não seja feita dentro do prazo, o eleitor deverá pagar uma multa no valor de R$ 3,51. A multa é referente a cada turno em que o eleitor não compareceu nem justificou. A Guia Recolhimento da União (GRU) para quitação das multas pode ser obtida no site do TRE-SP, pelo aplicativo e-Título ou em qualquer cartório eleitoral. É possível realizar o pagamento por meio de Pix ou cartão de crédito.

Consequências de não votar nem justificar

Para quem o voto é obrigatório, a ausência às urnas sem justificativa pode trazer uma série de impedimentos. Se a pessoa não votar por três eleições seguidas (cada turno conta como uma eleição) e não justificar ausência, o título estará sujeito a cancelamento. Com isso, o eleitor não poderá obter passaporte, fazer matrículas em estabelecimentos oficiais de ensino e tomar posse em concurso público, por exemplo.

Cartilha de orientações ao eleitorado

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) elaborou uma cartilha de orientações ao eleitorado, com as informações mais importantes sobre as Eleições 2026. A cartilha está disponível na página Eleições 2026 do site do Tribunal, que conta com diversos materiais relacionados ao pleito para eleitoras e eleitores, mesárias e mesários, candidatos e candidatas, partidos, coligações e federações.
Mais informações: imprensa@tre-sp.jus.br

domingo, 13 de setembro de 2026

Costura resiste ao tempo e registra aumento de profissionais em Tatuí e região

'Alto retorno', diz consultor. Levantamento do Sebrae aponta que o número de costureiros que regularizaram a situação profissional e se tornaram microempreendedores cresceu nas cidades da região, com aumento de 23% em Tatuí.

Por Milton Guimarães, TV TEM, com copidesque do DT

Costura resiste como fonte de oportunidades, renda e tradição no interior de SP

09/09/2026 07h14  |  Um levantamento do Sebrae registrou o aumento de costureiros que se regularizaram como microenpreendedores na região. A profissão resiste ao avanço da indústria têxtil.

O costureiro Gabriel Resende atua há 25 anos em Itapetininga. Ele herdou as técnicas de corte e costura especializada em couro de sua mãe.

Em Capão Bonito, a costureira Rosana Siqueira buscou aprimoramento em cursos para complementar sua renda. Ela destaca que o aprendizado trouxe mais profissionalismo ao trabalho doméstico.

O consultor Adriano Souza aponta que o setor oferece alto retorno com baixo investimento. Ele afirma que o mercado atual enfrenta dificuldades para encontrar profissionais capacitados.

O cuidado para manusear as linhas, o capricho para fechar os nós e alinhar os tecidos. É preciso, além do talento nato, muita atenção para que o resultado da obra feita pelo costureiro seja satisfatório ao gosto do cliente. Essa profissão, que existe há tantos anos, torna-se cada dia mais um símbolo de resistência histórica.

Um levantamento feito pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) apontou que, em cidades da região, o número de costureiros que regularizaram a situação profissional e se tornaram microempreendedores aumentou. Veja abaixo:

  • Tatuí - crescimento de 23%;
  • Avaré - crescimento de 21,5%;
  • Itapeva - crescimento de 19,5%;
  • Itapetininga - crescimento de 3,3%.

Gabriel Resende exerce a profissão de costureiro há 25 anos no Centro de Itapetininga, e conta que o talento veio de família. A mãe o ensinou as técnicas de corte e costura especializada em couro, que, para ele, são sinônimo de orgulho e alegria.

Costura resiste ao tempo entre profissionais da região — Foto: Reprodução/TV TEM

"O nosso perfil preza a qualidade, fazendo com que a peça tenha uma sobrevida e dure muito mais. Às vezes, a peça vem com uma alça em sintético, e nós transformamos ela em couro. É uma herança que eu recebo da minha mãe, porque tem todo um sangue envolvido. Não é algo que se aprende com facilidade", explica.

Com o avanço da indústria têxtil, os costureiros perderam espaço no mercado nas últimas décadas, mas resistem ao tempo. No lugar da produção de produtos exclusivos, muitas pessoas optaram por comprar roupas prontas em lojas, que passaram a vender os produtos de forma mais barata.

A costureira Rosana Siqueira, de Capão Bonito (SP), decidiu se aprimorar em cursos relacionados à área como uma forma de complementar a renda. Ela possui uma ampla experiência na costura, mas diz que conhecer mais sobre o âmbito de trabalho significa aprimorar a qualidade.

"Queria ter a técnica para trabalhar em casa, fazer um serviço de qualidade e com resultados ainda melhores. Foi muito bom e me trouxe muito profissionalismo", comenta.

O consultor de negócios do Sebrae, Adriano Souza, reforça que a costura possui uma grande importância no setor têxtil e oferece oportunidades para quem deseja seguir na profissão.

"A costura é um negócio de baixo investimento e alto retorno, sendo uma profissão que vem resistindo ao longo dos anos, principalmente com a tecnologia. O fato é que muitas pessoas ainda não procuram uma peça de roupa perfeita para o corpo ou uma customização", pontua.

À TV TEM, o consultor afirma que a área costuma abranger principalmente mulheres, com uma faixa etária de 15 a 35 anos. Para os empresários do setor, está muito difícil encontrar costureiros no mercado.

"É uma área que abrange muitas mulheres da faixa de 15 a 35 anos, ou jovens de 18 a 30 anos que buscam uma fonte de renda extra ou até mesmo se profissionalizar. Está difícil encontrar costureiros no mercado, por isso, aqueles que decidem seguir e se aprimorar têm a oportunidade de tornar o trabalho reconhecido e valorizado. A formação profissional gera oportunidades", finaliza.

Setor busca mão de obra qualificada — Foto: Reprodução/TV TEM

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Pioneiro do wingsuit recebe honraria inédita da federação internacional no Brasil

Flávio Jordão, campeão mundial e pioneiro do esporte aéreo, foi homenageado, em cerimônia realizada em Tatuí, pela FAI por sua trajetória de 20 anos evoluindo o paraquedismo no país e na América do Sul.

Por Assessoria Tropicocomunicacao, no site BRA1, com edição do DT

TATUÍ, 08/09/2026 17:29  |  Flávio Jordão, reconhecido como o pioneiro do voo em wingsuit no Brasil, conquistou recentemente uma distinção histórica. A Fédération Aéronautique Internationale (FAI), entidade que governa os esportes aéreos no mundo, o homenageou por sua contribuição fundamental para a modalidade. A entrega foi realizada pela Confederação Brasileira de Paraquedismo (CBPq) durante o Campeonato Brasileiro do esporte.

Esse evento marcou um momento importante na carreira de Jordão. Ele recebia seu primeiro reconhecimento direto da FAI e a segunda homenagem da CBPq. A cerimônia ocorreu no aeroporto de Tatuí, dentro da programação oficial da competição nacional. O ato simbolizou o respeito da comunidade internacional ao trabalho do brasileiro.

Jordão é o primeiro brasileiro a ganhar uma homenagem direta da FAI.
Ele estabeleceu recordes mundiais, sul-americanos e nacionais em voo extremo.
É o instrutor que mais formou alunos de wingsuit no país.
Organizou eventos com a presença de ícones mundiais do esporte.
Tem mais de 7 mil saltos na carreira e 25 títulos acumulados.


O que é a FAI e por que a homenagem importa

A FAI é a organização global responsável por definir as regras dos campeonatos e validar os recordes dos esportes aéreos. Quando a entidade reconhece alguém, significa que o indivíduo teve um impacto real na história do setor. No caso de Jordão, o foco está no pioneirismo e na evolução técnica do voo em asas. Ele ajudou a estruturar a modalidade em todo o continente americano.

Além do aspecto técnico, a homenagem considera o papel organizador de Jordão. Ele trouxe atletas internacionais e criou eventos que atraíram olhares para o Brasil. A CBPq, que é a entidade máxima do paraquedismo no país, destacou a importância desse esforço. O reconhecimento reforça a relação entre o atleta e as federações que cuidam da segurança e do desenvolvimento do esporte.
Recordes e conquistas históricas de Flávio Jordão

A trajetória de Jordão é marcada por feitos que quebraram barreiras geográficas. Ele foi responsável pelo primeiro Recorde Latino-Americano de voo em grupo de 16 asas (wingsuit 16-way). Também alcançou o primeiro Recorde Sul-Americano na mesma modalidade. Além disso, detém o Recorde Brasileiro de voo em grupo de 17 asas e um Recorde Mundial na categoria sequencial. Esses números mostram a sofisticação técnica que ele introduziu no país.

Outro marco foi a realização de um evento no Brasil com a participação de Jokke Sommer, ícone mundial do esporte. Essa formação de asas foi a maior já vista na América Latina. Mais recentemente, Jordão teve um voo extremo na Líbia homologado pelo Guinness World Records. Ele também conquistou seu octocampeonato brasileiro, mostrando consistência ao longo dos anos.

Como CEO e fundador da Extreme World Eventos, Jordão trouxe o profissionalismo do esporte para o mercado corporativo. Sua empresa realizou grandes produções junto a marcas famosas. Isso ajudou a unir esporte, entretenimento e patrocínio em eventos de grande porte. Dessa forma, o paraquedismo ganhou visibilidade fora do mundo técnico, chegando ao público geral.

O portfólio de eventos inclui parcerias com Red Bull, Bombardier, Rede Globo, Esporte Espetacular e Aquacoco. Também houve colaborações com a WSL e Bull Dog Energy Drink. Esses projetos demonstraram a capacidade de atrair públicos diversificados. O trabalho de Jordão ajudou a transformar competições em espetáculos seguros e organizados para milhares de pessoas.
Formação de atletas e futuro do wingsuit

Jordão é reconhecido como o maior formador de atletas de wingsuit no Brasil. Ao lado do especialista Erick Rocha, ele criou um curso de instrutores homologado pela CBPq. O programa garantiu 100% de aproveitamento nos índices de segurança e desempenho. Isso consolidou a segurança da modalidade para os novos praticantes e reduziu riscos em treinamentos.

Sua primeira homenagem pela CBPq aconteceu em 2020. Na ocasião, o então presidente da entidade, Raimundo Pereira dos Santos Neto, elogiou sua dedicação. O documento citou o profissionalismo que fez o esporte evoluir nacionalmente. Agora, a soma desse passado com o reconhecimento internacional cria um legado sólido. Jordão serve de modelo para quem quer desenvolver esportes extremos no país.

A homenagem faz parte do Celebration Day, realizado durante o campeonato. Essa iniciativa visa valorizar todos que constroem o esporte, não apenas os atletas. A FAI e a CBPq reforçaram o compromisso de reconhecer organizadores e técnicos. O futuro do wingsuit depende dessa estrutura de apoio e das novas gerações formadas. Jordão continua ativo como presidente da Confederação Brasileira de Wingsuit.

Com mais de 7 mil saltos na carreira, Jordão mantém a liderança técnica. Ele é palestrante, juiz avaliador e empreendedor. Seu perfil de 25 recordes ativos mostra uma vida dedicada ao voo. A história dele prova que o Brasil pode ser referência global em esportes de ação. O trabalho continuará inspirando outros atletas a buscar limites com responsabilidade.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Participante do reality Estrelas da Casa, da Globo, estudou no Conservatório de Tatuí

O Conservatório 'deixou muitas raízes em mim', diz Peu Heise, nascido em Piracicaba (SP). Ao 22 anos, o artista concilia composição, produção e apresentações

Por Larissa Pandori, g1 Itapetininga e Região, com copidesque do DT

Peu começou a se interessar pelo piano quando tinha apenas três anos
Foto: Arquivo Pessoal

07/09/2026 07h14  |  Jogador de futebol, astronauta, astrofísico, veterinário... E que tal músico? Apesar de a música estar presente desde muito cedo na vida de Peu Heise, de 22 anos, por muito tempo ela foi vista apenas como uma paixão. Até que ele percebeu que poderia - e queria - transformar esse amor pela música em profissão.

Nascido em Piracicaba (SP), Peu conta que, quando "olhou para trás", percebeu que a resposta estava mais perto do que imaginava.

"De tudo isso, a única coisa que eu tenho a minha vida inteira é a música. E daí eu comecei a encarar de uma forma diferente, meio que deu um estalo, sabe? Eu ficava pensando em estudar outras coisas, mas, na verdade, estava embaixo do meu nariz o tempo inteiro", relatou ao g1.

O interesse começou quando ele tinha apenas 3 anos, especialmente pelo piano. Sem uma formação musical estruturada naquele primeiro momento, Peu aprendeu de maneira autodidata e desenvolveu a habilidade de tirar músicas de ouvido. Entre as primeiras peças que conseguiu reproduzir estava Für Elise, de Beethoven, quando tinha cerca de 7 ou 8 anos.

“Eu nunca realmente tive uma aula de piano mesmo, eu fui bem autodidata.”

Aos poucos, o piano ganhou a companhia de outros instrumentos. Peu também aprendeu a tocar violão, guitarra e baixo. Na adolescência, passou a buscar aulas, vídeos na internet e novas referências musicais.

"Comecei autodidata também, a pegar violão. Meu irmão me ensinou alguns acordes e eu peguei o resto, assim. Aí eu realmente fiz aula depois, por um período, com um amigo meu que também fazia curso no conservatório, o Diogo Jamal. E daí, por ele fazer conservatório, aí eu pensei, 'caraca,, acho que eu vou entrar também", relembra.

Do autodidata ao Conservatório de Tatuí

Foi por volta dos 16 anos que o Conservatório de Tatuí entrou definitivamente na trajetória do jovem artista. Peu conta que já havia tentado ingressar anteriormente, mas não passou na primeira prova. Depois, durante a pandemia, quando parte do processo foi realizado de forma remota, conseguiu entrar.

Ele estudou MPB e Jazz na guitarra e passou cerca de dois anos e meio na instituição. A experiência, segundo o músico, foi muito além de aprender novas técnicas.

“Eu acho que o principal que o conservatório me deu foi um pouco da disciplina. Eu lembro que, por exemplo, pra você entrar no conservatório, já é muito difícil, eu tive que estudar muito, e pra ficar no conservatório era mais difícil ainda. Eu estudava perto de 12 horas por dia, todo dia", relata.

Jovem de 22 anos que participou de reality show da Globo estudou no Conservatório de Tatuí
Foto: Mateus Aguiar

A rotina exigente fez com que Peu mudasse a forma como encarava a música. Para permanecer no curso, precisava estudar, tirar músicas, transcrever solos e se preparar constantemente.

"Eu tinha que tirar um monte de música, tinha que transcrever solo de jazz e tudo mais. Então, eu acho que o principal que o conservatório me deu foi realmente esse pontapé na disciplina, que, consequentemente, me tornou um músico profissional".

Embora tenha deixado o curso antes de concluir a formação, Peu carrega até hoje influências daquele período. O jazz, principalmente, permanece presente tanto no que ouve quanto no que produz.

“O conservatório deixou muitas raízes em mim.”

Hoje, o músico transita por diferentes estilos. Gosta de folk, rock alternativo e sonoridades experimentais. Nas próprias músicas, mistura essas referências com elementos de blues e jazz.

“Com certeza vieram do conservatório. Com certeza teve uma mãozinha ali que me guiou.”

Carreira profissional

Depois de deixar o Conservatório, Peu passou a se dedicar à produção e começou a lançar músicas profissionalmente. Ele produz grande parte do próprio trabalho e também divide processos criativos com outros artistas e produtores.

Para o músico, construir uma carreira na era do streaming exige uma palavra que ele repete algumas vezes durante a entrevista: constância.

"Eu converso diariamente com meus amigos músicos todo mundo já chegou na mesma conclusão que é muito questão de consistência. Você pode até fazer uma música sensacional, mas, se você não fizer outra mês que vem, é muito provável que você vai 'cair'", analisa Peu.

Mas criar por criar também não desperta o interesse do jovem, que diz buscar manter a qualidade em suas composições.

Eu produzo grande parte das minhas próprias músicas, muitas vezes eu produzo com o meu amigo, o Rafael Piccoli, e a gente vai tentando sempre lançar a máxima quantidade de músicas possível, sem perder a qualidade também."

O trabalho começou a trazer resultados. Antes do primeiro show com banda completa, Peu já havia se aproximado da marca de 80 mil ouvintes mensais nas plataformas digitais. Mas transformar números na internet em público diante do palco é outro desafio.

Recentemente, ele fez o primeiro show da carreira com uma banda completa, formada por cinco instrumentos, em um espaço em São Paulo: "Depois que você tem um público digital, transmitir esse público para o físico, para o presencial, é um trabalho.”

Recentemente, Peu fez o primeiro show da carreira com uma banda completa, em São Paulo
Foto: Serginho Carvalho

Um 'intensivão' de palco na Globo

A experiência mais recente de Peu diante de um público ainda maior veio com a participação no reality show Estrelas da Casa, da Globo, em agosto deste ano. O músico foi o segundo eliminado da edição, mas encara a participação como positiva e cheia aprendizados.

'Por exemplo, eles falam 'você vai tirar essa música pra apresentar', e aí você tem alguns dias para tirar aquela música, e performar. Essa dinâmica me lembrou muito do conservatório, na verdade. Porque era a mesma coisa. Naquela época, o professor falava 'ó, daqui a três dias você vai ter que tocar o solo do Charlie Parker de tal música. Eu nunca tinha ouvido a música. É muito 'intensivão'. Deu pra aprender muita coisa", avalia.

Para ele, participar do programa também trouxe uma visibilidade que dificilmente teria alcançado em tão pouco tempo.

“É um 'intensivão' de palco, 'intensivão' de performance. E, no geral, acabou sendo muito positivo pra mim porque me trouxe uma visibilidade imensa, novos fãs e gente pra me apoiar", celebra o músico.

Peu Heise estudou no Conservatório de Tatuí e participou do reality 'Estrelas da Casa', da Globo
Foto: Mateus Aguiar


Transformar paixão em profissão

Apesar de ter seguido um caminho bastante autodidata no início, Peu reconhece que ter acesso a uma instituição como o Conservatório de Tatuí foi decisivo para sua formação. Ele conta que já passou por escolas particulares e teve aulas com professores privados, mas destaca a qualidade da instituição pública.

“Sendo muito sincero, o conservatório, mesmo sendo de graça pra todo mundo, era melhor. É muito bom o conservatório. Quando eu decidi sair do conservatório, eu fiquei meio 'partido no meio', porque eu não sabia se eu tentava rearranjar o tempo, continuava e fazia minhas coisas, porque era muito bom, realmente me fez eu crescer muito.”

Para Peu, espaços de formação musical se tornam ainda mais importantes em um momento em que ferramentas tecnológicas, incluindo inteligência artificial, permitem produzir músicas, arranjos e composições com cada vez mais facilidade.

Na avaliação dele, justamente por isso, é necessário que os artistas conheçam profundamente a linguagem com a qual trabalham.

"Eu acho que agora, mais que nunca, as pessoas tinham que entender mais sobre música, como que funciona, quais são os estilos, o que determina, a teoria musical no geral. Acho que é muito importante pra um artista. O conservatório ajuda demais, demais nisso. É patrimônio extremamente importante", conclui Peu Heise.

Peu Heise durante apresentação no Conservatório de Tatuí
Foto: Conservatório de Tatuí/Divulgação

O Recente Sucesso: EP Me Queimei

Peu Heise lançou, em maio deste ano, o EP "Me Queimei". Em julho, o projeto ganhou uma versão Deluxe, com quatro faixas inéditas. As músicas abordam diferentes momentos de um relacionamento, desde o início do envolvimento até as consequências de se deixar levar pelos sentimentos.

A faixa "Without You" é a música de destaque do projeto e se aproxima da marca de 1 milhão de reproduções nas plataformas digitais. A canção também ganhou espaço nas redes sociais, onde Peu divulga conteúdos relacionados ao trabalho.

domingo, 6 de setembro de 2026

Mural encanta com cores e retratos de Sorocaba

Realizada pelo grupo artístico Kranium Arts, o mural reúne trajetória e beleza

Do jornal Cruzeiro do Sul, com edição do DT

Pinturas carregam três momentos da história da cidade, sendo eles o Tropeirismo, ferrovia e atualidade 

02/09/2026 às 20h48 |  Unindo arte urbana, conscientização e história, o projeto de grafitagem que agora ocupa os muros da CPFL de Sorocaba vai além das cores e dos desenhos. Na unidade do Jardim Vera Cruz, a arte, entre traços e contornos, retrata também a trajetória da cidade.

Batizado de "Guardião da Vida", o projeto é organizado pela própria CPFL. A pintura mistura cores e história e se divide em dois eixos: a missão da concessionária com seus clientes e a história de Sorocaba, retratando três momentos marcantes da cidade: o Tropeirismo; a ferrovia; e a fase atual, representada por prédios, pontos turísticos e a Prefeitura.

Toda a extensão do muro foi pintada em julho deste ano e finalizada em apenas nove dias. A obra foi executada pelo grupo Kranium Arts - Soluções Artísticas, liderado pelo artista Leandro Kranium, com participação de Guilherme de Paula, Dario Santa e Wesley Blumer.

Líder do grupo, Leandro Kranium explica que o foco da pintura é transmitir, por meio da arte, mensagens de prevenção e contribuir para a redução de acidentes, ao mesmo tempo em que leva cultura aos locais atendidos.

O artista teve seu primeiro contato com o grafite em São Paulo, onde se encontrou nos muros e nas cores. "No começo era apenas um hobby, por paixão. Depois de alguns anos, comecei a participar de projetos, festivais, concursos e a realizar trabalhos comerciais", conta Leandro, que já participou de mais de 50 projetos para o Grupo CPFL na região. (Sabrina Alves — programa de estágio)

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Projeto de tatuiano terá Isabeli Fontana como estrela na maior passarela do Oriente Médio

Arquiteto e designer, Vincenzo Visciglia comanda o THE EVENT 003, que reúne moda, negócios e cultura em Dubai


03/09/2026 |  A modelo brasileira Isabeli Fontana será a estrela do encerramento do THE EVENT 003, desfile que ocorre no dia 12 de setembro, no Dubai Mall Exhibition Centre, nos Emirados Árabes. O evento contará com uma passarela de 130 metros, a maior do Oriente Médio, e reunirá 400 convidados.

A operação do projeto é comandada pelo arquiteto e empresário tatuiano Vincenzo Visciglia, residente nos Emirados há mais de 15 anos. A marca de Visciglia, AAVVA, vestirá a modelo no fechamento do evento com a coleção One Night at the Opera.

O THE EVENT 003 é a primeira iniciativa montada dentro do Dubai Mall Exhibition Centre. O projeto surgiu em 2025 com a proposta de criar uma plataforma editorial e comercial para designers regionais e internacionais que buscam espaço no calendário de moda do Golfo.

Para as marcas participantes, a estrutura oferece acesso a investidores, imprensa e compradores do setor premium. O evento integra o calendário da The Luxury Network UAE, plataforma de conexões B2B e B2C voltada ao mercado de luxo.

(Do portal Papo Aberto, com copidesque do DT)

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

SESI Tatuí lidera etapa regional da Olimpíada de Robótica

Equipe Armadillos ficou no topo da classificação e garantiu destaque na disputa de robótica artística

Por Murilo Aguiar, no Cruzeiro do Sul, com copidesque do DT

Competição envolve recursos técnicos, criatividade e coordenação em equipe
Divulgação / UniFacens

31/08/2026 às 21h39 |  Programação, eletrônica e criatividade dividiram o mesmo palco em uma disputa no sábado (29), em Sorocaba. Com 103,8 pontos, a equipe Armadillos, do Sesi Tatuí, conquistou o primeiro lugar da etapa regional da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR), realizada na UniFacens. em Sorocaba.

A Gingatech terminou na segunda colocação, com 95,8 pontos, enquanto a Sesi Scooby-Itu completou o pódio, com 87,2. Na sequência apareceram Sesi Technokaos (85,6), Quantum Engine (71,6) e E2RP (56,4).

Na modalidade de robótica artística, o desafio vai além de construir e programar equipamentos. Antes de subir ao palco, os participantes passam por uma avaliação técnica, na qual apresentaram aos jurados recursos como programação, hardware e software. Depois, colocaram o projeto em funcionamento na apresentação artística. A nota final é composta por 40% da parte técnica e 60% da artística. Cada equipe tem duas oportunidades, com a melhor pontuação sendo considerada.

Entre os participantes estava a Sesi Scooby-Itu, formada por Gabriel Dobner, João Heitor, Isabela Amorim e Helena Hagen. O grupo levou uma história autoral sobre seres mágicos, natureza e escassez de recursos. O projeto exigiu cerca de cinco meses de preparação, desde a elaboração do enredo até a produção dos cenários, figurinos, eletrônica e programação.

A primeira apresentação não ocorreu como o grupo esperava. Alguns recursos falharam e a equipe precisou aproveitar a segunda tentativa. Para Gabriel, porém, a preparação deixou aprendizados que ultrapassam a parte tecnológica. "Eu acho que aprendi muito sobre como trabalhar em equipe. A OBR foi imprescindível na maneira como eu vejo o trabalho em equipe, como eu trabalho com as pessoas e a maneira como a gente consegue fazer a integração de diferentes coisas", afirma.

Uma das características da competição é a possibilidade de encontrar soluções sem depender de equipamentos de alto custo. Segundo Priscila Luza, da organização, há equipes que constroem projetos utilizando materiais simples e sustentáveis. "É uma competição de graça, não precisa de recursos caríssimos para participar. Tem equipes aqui com Arduino (plataforma de desenvolvimento de projetos eletrônicos) de R$ 20, R$ 30 e papelão para fazer acontecer", explica.

Caminho até o Mundial

A etapa regional faz parte de um caminho que pode levar os estudantes ao cenário internacional. A fase estadual será realizada nos dias 11 e 12 de setembro, em São Roque, enquanto a nacional ocorrerá na Paraíba.

Segundo a organização, uma equipe que participou da seletiva regional no ano passado avançou pelas etapas e conquistou o segundo lugar no Mundial disputado na Coreia do Sul, em abril deste ano. O grupo havia desenvolvido o projeto de maneira independente e chegou a realizar uma vaquinha para custear a viagem.

A presença brasileira no cenário internacional também ganhou outro capítulo em agosto, com a participação de estudantes e pesquisadores nos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides, em Pequim, na China. A competição reuniu robôs humanoides em diferentes provas e colocou à prova tecnologias relacionadas à inteligência artificial e à movimentação autônoma.

Ao comparar a realidade brasileira com a estrutura encontrada por equipes de outros países, Priscila destaca a criatividade como um dos diferenciais dos projetos nacionais. "Aqui a gente tem papelão, cola quente, Arduino e um sonho", resume. Segundo ela, a necessidade de adaptar componentes e encontrar soluções próprias também faz parte do aprendizado dos estudantes.

O interesse pela competição também aumentou. Segundo a organização, foram cerca de 320 inscritos no ano passado e quase 500 neste ano. (M.A.)

domingo, 30 de agosto de 2026

Frio, calor e mudanças bruscas de temperatura podem danificar instrumentos musicais, alertam especialistas

Cavalete descolado, braço empenado, verniz trincado, e desafinação durante apresentações. Profissionais explicam como o clima afeta tanto guitarras, violões, pianos e até instrumentos de sopro.

Por Clara Abrami*, Maria Martins*, g1 Itapetininga e Região, com edição do DT

Especialistas apontam que variação climática pode danificar instrumentos musicais
Foto: Peterson Paes/Arquivo do Conservatório de Tatuí

30/08/2026 08h00  |  Calor excessivo, frio intenso, veranicos e mudanças bruscas de temperatura são inimigos da saúde, mas não apenas dela. Quem está começando a estudar música pode não saber, mas instrumentos musicais feitos de madeira também são sensíveis às condições do clima.

Ao g1, Carlos Arruda, de 44 anos, coordenador dos setores de Luteria e do Núcleo de Apoio Pedagógico do Conservatório de Tatuí, explicou que a madeira é formada, basicamente, por quatro elementos, sendo a celulose e a água os que mais preenchem sua estrutura.

"A celulose são as fibras da madeira que podem se expandir ou recolher de acordo com a umidade que está influenciando externamente. Então, essas mudanças de temperatura alteram a umidade relativa do ar e podem fazer a madeira se expandir ou recolher.

Como os instrumentos musicais são feitos de materiais sensíveis a esse tipo de variação, as mudanças no clima podem afetar tanto a afinação quanto a própria resistência dos instrumentos: rachando, inchando ressecando e até quebrando.

Suelen Campos, de 40 anos, é luthier e, ao lado do marido, Anderson Campos, de 37, músico, mantém uma loja de instrumentos musicais em Itapetininga (SP).

Segundo o casal, assim como a pele pode ressecar quando não recebe hidratação adequada, a madeira dos instrumentos também pode sofrer com a falta de umidade.

"Eu gosto de comparar muito o instrumento com o nosso corpo. E até com o carro. A gente passa um hidratante e a pele fica mais macia. No carro também é assim. Gosto de fazer esse comparativo porque a maioria das pessoas que compram instrumentos entendem melhor comparando com o carro", aponta Suelen.

Suelen Campos é luthier e, ao lado do marido, Anderson Campos, músico, de Itapetininga 
Foto: Arquivo Pessoal

Pontos de pressão

As cordas do violão ou da guitarra ficam “esticadas” o tempo todo e fazem força sobre o instrumento, principalmente no cavalete - estrutura de madeira que prende as cordas - e na ponta do braço.

"São os dois principais pontos de pressão", resume Suelen.

A profissional explica que para ajudar a suportar essa pressão, alguns instrumentos têm uma barra de metal chamada tensor, que fica escondida dentro do braço do equipamento musical de corda. Essa barra permite corrigir o instrumento quando o braço entorta por causa da tensão das cordas ou da mudança de temperatura. Essa ação de entortar é chamada de empenamento.

Mas não são todos os instrumentos que possuem o tensor e, sem ele, quando o violão empena e precisa passar por um processo chamado “regulagem”, fica mais difícil corrigir o dano, fazendo com que, muitas vezes, o reparo saia mais caro que comprar um novo.

"Verificar se ele possui tensor é um fator muito importante na hora de escolher um instrumento", afirma Suelen.
Foto: Peterson Paes/Arquivo do Conservatório de Tatuí
Como os instrumentos musicais são feitos com materiais muito sensíveis a esse tipo de variação, o clima afeta tanto a afinação quanto a sua própria resistência

Danos causados pelo calor

O calor intenso também pode amolecer a cola que é usada para juntar as peças. Suelen diz que o cavalete é o que mais sofre: "Existe uma grande chance de ele descolar. Às vezes descola por inteiro, em outras, parcialmente."

Outros instrumentos de corda, como violino, viola, violoncelo e contrabaixo, instrumentos de sopro ou, até mesmo, instrumentos de tecla mais antigos, como o cravo e o fortepiano, também podem ser afetados pelo clima, pois são feitos de madeiras finas e sensíveis para melhor qualidade do som e podem sofrer pelo mesmo motivo.

Além do descolamento, o calor dilata a madeira, isso, quando combinado com a tensão das cordas, pode fazer o braço entortar para fora, o chamado abaulamento, dificultando, ou até impedindo, tocar.

A situação mais arriscada, segundo o músico Anderson, é deixar o instrumento por muito tempo dentro de um veículo em um dia de sol forte.

"O que não pode acontecer é a pessoa deixar o instrumento num carro num calor alto. O que acontece? Superaquece o instrumento, o cavalete descola, você perde o instrumento", alerta.

Viola caipira, violão e cavaquinho são os instrumentos fabricados pelo luthier de Alambari
Foto: Arquivo Pessoal

Carlos Arruda explica que o piano moderno é uma exceção e pode ficar meses sem precisar de afinação, enquanto os outros instrumentos podem precisar de ajuste toda semana.

"A parte de madeira que é utilizada no piano é mais na caixa acústica dele, não necessariamente na parte interna. Já é uma estrutura mais feita de ferro e metal".

Piano moderno é uma exceção e pode ficar meses sem precisar de afinação, aponta especialista
Foto: Peterson Paes/Arquivo do Conservatório de Tatuí
E o frio?

Nos dias frios, o processo é quase o oposto: a madeira resseca e se contrai, o que pode aproximar as cordas dos trastes - barras de metal que dividem o braço do instrumento em espaços correspondentes às notas - e provocar o chamado trastejamento. Nesse caso, em vez de produzir um som limpo, o instrumento passa a emitir um ruído “arranhado”.

É um problema que Anderson conhece bem, depois de vivenciá-lo diversas vezes no palco durante o inverno na cidade onde mora.

"Aqui em Itapetininga é muito frio. Normalmente começa a trastejar muito, porque o braço cola na corda", conta o músico.

E se desafinar durante o show?

Segundo Anderson, o instrumento pode até desafinar durante a apresentação, algo mais comum do que o público imagina. O simples fato de tocar em um ambiente com ar-condicionado, especialmente após a passagem de som, já pode ser suficiente para alterar a afinação.

"Você está tocando em uma sala onde tem ar-condicionado, pronto, desafinou o instrumento", brinca.

Apesar disso, ele garante que a situação não costuma atrapalhar o show.

"Vou colocar um exemplo de uma música do Guns N' Roses. Você está tocando a base ali, de um jeito que, se você está desafinando muito, você para de tocar, literalmente. Mas é coisa mínima. Você abaixa a guitarra, afina rapidinho, e o baixo está segurando a música, junto com a bateria, a pessoa está cantando. Você já volta tocando já", descreve.

Anderson Campos, de 37, músico, mantém uma loja de instrumentos em Itapetininga
Foto: Arquivo Pessoal

Em uma orquestra, porém, o processo pode ser um pouco mais complicado. Segundo Carlos, quando há um piano ou um cravo no palco, são eles que determinam o tom dos demais instrumentos, já que a afinação desses instrumentos é mais trabalhosa.

"Os outros instrumentos afinam de acordo com a harmonia que está no instrumento que é mais difícil de afinar. Um violino ou uma guitarra são instrumentos que podem ser ajustados em segundos, já nos instrumentos de teclas, com dezenas de cordas internas, o processo é bem mais demorado, podendo levar horas."

Carlos diz que, se o ar-condicionado e os holofotes forem ligados entre a passagem de som e o início do espetáculo, isso já pode ser suficiente para desafinar os instrumentos.

Carlos Arruda, coordenador dos setores de Luteria e do Núcleo de Apoio Pedagógico do Conservatório de Tatuí
Foto: Peterson Paes/Arquivo do Conservatório de Tatuí

Como prevenir

Na loja de Suelen Anderson, uma das principais ações preventivas é passar óleo no instrumento para hidratá-lo.

“O óleo ajuda a hidratar, porque ele penetra a madeira e deixa ela mais suave para tocar. A madeira fica mais escura, e ela fica até um pouco mais difícil de empenar quando está hidratada", explica.

Carlos reforça a orientação. Em períodos mais secos, ele recomenda o uso de toalhas molhadas para ajudar a umedecer o ambiente, caso não seja possível utilizar um umidificador. Já para reduzir a umidade, orienta o uso de produtos antimofo e sachês antiumidade.

*Colaborou sob supervisão de Larissa Pandori

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Virginia Azevedo, escritora de Tatuí, transforma sentimentos em literatura

Uma nova obra chega em um momento histórico para Tatuí

Por Alisson Kaniisio, na Folha do Estado SC, com edição do DT

Foto Oficial: Virginia Azevedo

Professora da rede municipal de Tatuí, Virgínia Azevedo transformou uma antiga paixão pela literatura em uma nova trajetória como escritora e vem conquistando leitores com histórias que nascem do cotidiano, da sensibilidade e das emoções humanas

Há histórias que começam muito antes de serem escritas. Algumas nascem na infância, outras permanecem escondidas durante anos, esperando o momento certo para finalmente ganhar vida. A trajetória da escritora tatuiana Virgínia Azevedo é assim: um antigo sonho que encontrou na literatura uma segunda oportunidade para existir.

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade de Brasília (UnB), Virgínia trabalha como professora na rede municipal de ensino de Tatuí, no interior de São Paulo. Entre a sala de aula e as páginas dos livros, encontrou duas formas de exercer aquilo que considera essencial em sua vida: expressar-se e tocar outras pessoas.

“Sou uma pessoa sensível e apaixonada pelo que faço, seja ensinando ou escrevendo”, revela a escritora.

A literatura, entretanto, não surgiu recentemente em sua vida. Desde muito jovem, Virgínia carregava uma paixão pelos livros e, ainda na adolescência, já imaginava que poderia se dedicar à escrita. A vida, porém, conduziu seus caminhos por outras direções e aquele desejo acabou ficando adormecido.

Foi durante a pandemia que algo mudou.

O período de isolamento e tantas incertezas fez voltar com força um sonho que permanecera guardado durante anos. Virgínia decidiu, finalmente, começar a escrever. E aquilo que poderia ter sido apenas uma tentativa transformou-se em uma nova parte de sua identidade.

Quando as histórias começam como cenas de um filme

Para Virgínia, escrever não é necessariamente sentar diante de uma página em branco com toda a história planejada. Seus personagens e acontecimentos costumam surgir primeiro como imagens.

“As histórias aparecem na minha cabeça como cenas de um filme”, conta.

Nem sempre essas cenas chegam na ordem em que aparecerão no livro. A escritora começa a partir delas e permite que a narrativa encontre seu próprio caminho. Personagens, acontecimentos e sentimentos vão tomando forma durante o processo.

Essa maneira intuitiva de criar também ajuda a explicar a personalidade de sua literatura. Suas inspirações estão no cotidiano, nas situações vividas ou presenciadas, nas músicas, nos filmes e até nas pequenas coisas capazes de despertar uma ideia ou um sentimento.

Experiências pessoais podem contribuir para dar profundidade às histórias, mas seus personagens e enredos pertencem ao território da ficção e da imaginação.

Para Virgínia, escrever acabou se tornando muito mais do que um projeto profissional. É uma necessidade de expressão.

“A literatura faz parte de mim”, afirma.

O Perfume das Sombras e a descoberta de que suas palavras podiam alcançar outras pessoas



Entre suas obras, “O Perfume das Sombras: a história do maior amor do mundo” ocupa um lugar especialmente importante.

Foi durante a criação de Louis, um dos personagens da obra, que Virgínia sentiu uma ligação particularmente intensa com aquilo que estava escrevendo. O personagem acabou deixando uma marca profunda em sua trajetória como escritora.

Mas foi também com esse livro que ela começou a perceber, de maneira concreta, a dimensão que sua literatura poderia alcançar.

O lançamento do e-book trouxe um resultado que surpreendeu e emocionou a autora: foram 80 downloads na primeira hora, chegando a 280 nos três primeiros dias.

Pouco antes, outro momento já havia mostrado a força de sua escrita nas redes sociais. Um de seus poemas alcançou 190 mil curtidas no Instagram.

Mais do que números, esses resultados representaram uma confirmação.

Havia pessoas do outro lado da tela lendo, sentindo e reagindo às palavras que saíam de sua imaginação.

Quando o leitor se reconhece na história

Talvez a maior conquista de um escritor não esteja em uma lista de vendas ou na quantidade de visualizações, mas no momento em que um leitor fecha um livro e percebe que aquela história deixou alguma coisa dentro dele.

Virgínia já começou a experimentar essa sensação.

Entre os relatos que mais a marcaram está o de um leitor que afirmou ter sido levado ao limite da emoção durante a leitura de “O Perfume das Sombras”.

Outro relato teve um significado ainda mais especial: um leitor contou que, depois de muitos anos sem conseguir terminar um livro, conseguiu concluir a leitura da obra de Virgínia.

Há ainda estudantes que utilizam seus escritos em trabalhos escolares.

São experiências diferentes, mas que apontam para a mesma direção: a literatura encontrou leitores.

E, para a escritora, é justamente aí que está o verdadeiro sentido de escrever.

Ela deseja que seus livros deixem sentimentos e lembranças. Que provoquem emoções. Que façam alguém enxergar determinada situação de uma maneira diferente.

“Se, de alguma forma, minhas histórias conseguirem tocar alguém, despertar uma emoção ou fazer a pessoa enxergar algo de uma maneira diferente, já vou sentir que deixei minha marca.”

O desafio de transformar livros em encontros com o público

Apesar das conquistas, Virgínia conhece de perto uma das maiores dificuldades enfrentadas por escritores independentes: fazer com que o livro chegue até o leitor.

Para ela, escrever é prazeroso. Divulgar o trabalho, entretanto, é uma tarefa muito mais difícil.

Esse é um desafio compartilhado por muitos autores que buscam espaço em um mercado literário cada vez mais amplo. A escritora reconhece, porém, que as plataformas de auto publicação abriram novas possibilidades para quem deseja publicar e encontrar seu público.

Ainda assim, conquistar leitores continua sendo uma caminhada que exige persistência.

E Virgínia parece ter escolhido justamente esse caminho.

Uma nova obra chega em um momento histórico para Tatuí

Enquanto sua trajetória como escritora ganha novos capítulos, Virgínia prepara também um momento especial em sua cidade.


Seu novo livro, “A última vez”, marca sua estreia na poesia.

O lançamento acontece em parceria com a escritora tatuiana Sarah Vitorino, no último dia 20 de agosto, no Museu da Imagem e do Som de Tatuí, integrando o calendário de comemoração dos 200 anos do município.

A programação foi pensada como uma celebração da literatura e da poesia.

O evento contou com uma entrevista mediada pelo ator Lucas Vedeschi, seguida de uma declamação de poemas realizada por atores e, posteriormente, uma sessão de autógrafos.

Foi uma noite para reunir leitores, escritores e artistas de Tatuí.

Mais do que lançar um livro, Virgínia estará celebrando uma trajetória que começou com um sonho guardado desde a adolescência e que encontrou, anos depois, coragem para ser retomado.

E o próximo capítulo já está sendo escrito

A história literária de Virgínia Azevedo está longe de terminar.

A escritora já planeja um novo livro de contos, gênero que ainda não havia explorado em uma publicação. Também alimenta o desejo de escrever um romance com elementos metafísicos, abrindo espaço para novas experiências e possibilidades dentro da literatura.

Aos escritores que ainda têm medo de começar, sua mensagem é simples:

“Não tenha medo de tentar.”

Experimentar. Escrever. Acreditar no próprio trabalho. Não desistir.

Talvez essa seja também uma síntese de sua própria trajetória.

Virgínia não começou sua carreira literária seguindo uma estrada planejada. Ela retomou um sonho que havia ficado pelo caminho e descobriu que nunca era tarde para voltar a ele.

Hoje, entre livros, poemas, personagens e leitores, a professora de Tatuí constrói uma nova identidade sem abandonar aquela que sempre fez parte dela.

A sala de aula continua sendo seu espaço de ensinar.

As páginas, seu espaço de sentir.

E entre uma e outra, Virgínia Azevedo vai construindo aquilo que talvez seja o maior desejo de qualquer escritor: deixar uma marca no coração de quem lê.

Porque, no fim, uma história só se completa quando encontra alguém disposto a senti-la.

E as histórias de Virgínia já começaram a encontrar seus leitores.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Dia do Historiador lembra Renato Ferreira de Camargo


Jornalista e historiador, memorialista e pesquisador da História de Tatuí, Renato Ferreira de Camargo foi sócio fundador do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Itapetininga (IHGGI), tendo como Patrono de sua Cadeira Venâncio Ayres. Foi associado do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba. Teve pesquisas publicadas no livro “Perseverança III e Sorocaba”, de autoria de José Aleixo Irmão, Volumes IV e V. Foi membro da Comissão Paulista de Folclore, órgão do IBECC (Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura) da Unesco - Núcleo Caipira de Estudos de Sorocaba e Região.

É autor de várias obras, entre elas: “Memórias de Tatuí” (1997), “Achegas para a História Tatuiense” (1999) e “Almanach Tatuhyense de 1900” (reedição), “Tatuí; Antiga Tatuhy - Coletânea de Fotos”, “História dos Crentes Primitivos da Congregação Cristã no Brasil”. Lançou ainda os livros “Ilustres Cidadãos”, “Tatuí, Capital da Música” e Cronologia Tatuhyense”, ao lado do filho Christian Pereira de Camargo.

É o Patrono do MIS (Museu da Imagem e do Som) de Tatuí, que foi criado pela Lei Municipal nº 5.286/2018. A lei que denominou o MIS é a Lei Municipal n° 5.750/2022. O MIS "Jornalista Renato Ferreira de Camargo" foi inaugurado oficialmente em 5 de abril de 2024, na Avenida Domingos Bassi (ao lado da Marginal do Manduca).

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Com kartódromo e acervo particular, fazenda de Ayrton Senna recebeu visita de Lewis Hamilton

Propriedade em Tatuí servia de refúgio para o tricampeão; o local virou ponto de encontro de lendas do automobilismo.

Estátua de Ayrton Senna na propriedade, em Tatuí — Foto: Reprodução/TV Tem

Por Yasmin Lima, no site da revista Caras, com edição do DT

17/08/2026, 17h30 |  A ligação de Ayrton Senna com a vida no campo ultrapassou as memórias de infância. No auge da carreira na Fórmula 1, o piloto brasileiro buscou o interior de São Paulo para descansar. Então, no fim da década de 1980, ele adquiriu uma área de 80 alqueires chamada Fazenda Dois Lagos, em Tatuí. De acordo com registros da Prefeitura de Tatuí, a propriedade se transformou no principal refúgio do piloto fora dos autódromos.

A importância do imóvel é enorme para o automobilismo mundial. Por essa razão, a fazenda atrai até mesmo ídolos internacionais. Conforme apurado pelo portal ge em 2022, a convite dos irmãos de Senna, o heptacampeão Lewis Hamilton visitou a propriedade em Tatuí após receber o título de Cidadão Honorário do Brasil. Em seguida, o piloto britânico circulou pelo terreno em um carrinho de golfe. Ele também conheceu o kartódromo particular projetado por Senna.

Estrutura rural, produção agrícola e o kartódromo lendário

A área mantinha uma rotina rural bastante ativa. Segundo reportagem do Agrofy News, o local abrigava plantações de banana, caju, tangerina, limão, laranja, mandioca e milho doce — uma cultura pouco comum no Brasil naquele período.

Apesar da busca por sossego, o automobilismo continuou presente. Consequentemente, em dezembro de 1991, Senna inaugurou um kartódromo profissional na fazenda, que neste momento não é aberto ao público. A Prefeitura de Tatuí registra que Senna recebeu o título de Cidadão Tatuiano e destaca a aquisição dos 80 alqueires, a presença frequente do piloto e a inauguração do kartódromo como capítulos dessa ligação com o município.

Brinquedos

Em 2024, o Fantástico obteve acesso, inédito, a uma faceta do brasileiro desconhecida do público e cuidadosamente preservada por 30 anos. Em localização mantida sob absoluto segredo pela família Senna, um quarto guarda aeromodelos, barcos e carrinhos de controle remoto. Alguns foram dados a Ayrton de presente, vindos de várias partes do mundo; outros vieram de amigos.

A morte de Ayrton Senna

Ayrton Senna morreu em 1º de maio de 1994, aos 34 anos, durante o Grande Prêmio de San Marino, no circuito de Ímola, na Itália. Na sétima volta da corrida, sua Williams saiu da pista na curva Tamburello e bateu violentamente contra a barreira. Senna foi levado de helicóptero ao Hospital Maggiore, em Bolonha, mas não resistiu aos graves ferimentos.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Daniela Miranda cria cogumelos shimeji em Tatuí

'Queridinho' da culinária asiática, cogumelo shimeji tem cultivo delicado e pode ser colhido diariamente por até 60 dias

Por Diogo Del Cistia, g1 Itapetininga e Região, com copidesque do DT

Produção de Daniela é totalmente sustentável — Foto: Arquivo pessoal

10/08/2026 07h10  |  Desde 2022, Daniela Miranda cria cogumelos shimeji em Tatuí (SP). Ela produz variedade branca, que tem um sabor mais suave e uma textura mais crocante. A produtora diz que decidiu entrar no ramo por ser apaixonada pela natureza.

"Eu sou advogada e cresci em um sítio na cidade. Sempre gostei muito da natureza, tenho uma conexão muito forte com ela e, por isso, quis criar algo relevante e que respeitasse o meio ambiente dentro do sítio. Foi aí que comecei com o shimeji branco", detalha.

Por se adaptar bem em temperaturas mais ambientes, Daniela aproveitou da característica e construiu um esquema de estufa sustentável, com madeira e material reciclado, às margens do Rio Sarapuí. O local, segundo Daniela, é próxima de uma área de preservação permanente e de alta umidade, gerando o "terreno" fértil para o shimeji.

"É um lugar que eu considerado ideal para o cultivo do cogumelo, que é bem estratificado. No meu cultivo, eu faço a parte apenas de frutificação, que é a final. Eu já compro o composto e, para o cultivo, uso fonte de umidade, que são uns 'aparelhinhos' de névoa. Molhamos o chão, pulverizamos os pacotes de substrato, mas a umidade é o fator de maior preocupação", destaca.

Na produção de Daniela, a mão de obra é menor em comparação aos produtores de grandes escalas, sendo composta por ela, o pai, de 76 anos, e uma funcionária. A ideia de produzir um cultivo completamente sustentável veio após fazer um curso de como criar shimejis na cidade.

"O curso que eu fiz no Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) foi muito bem detalhado, passando até as medidas de uma estufa ideal. Com base nisso, eu consegui falar com a pessoa que eu contratei para construir e que já tinha conhecimento em madeira, mas não em reciclados. Ele resolveu tentar e deu certo", lembra.

Na visão de Daniela, a maior dificuldade como produtora foi se inserir no mercado. Assim que a construção da estufa começou, ela decidiu iniciar a revenda de cogumelos de terceiros, justamente para entender como funcionava o consumo do fungo.

"Os cogumelos não são muito populares no Brasil, então, comecei a trabalhar antes para sentir como é a necessidade de restaurantes, consumidores finais, etc. A produção tem muitos desafios, mas o maior é sempre trabalhar as vendas e tentar aumentar o leque de clientes. O volume é vendido para restaurantes, mas o preço de venda não é tão bom. O valor agregado para o consumidor final é muito melhor", relata.

Daniela produz shimejis desde 2022 — Foto: Arquivo pessoal

Em média, a produção de Daniela rende 350 quilos de shimeji ao mês. A profissional explica que a quantidade final pode variar de acordo com as questões climáticas, variando de 80 a 90 quilos por semana.

"Nós temos três salas de produção com escalonamento, e todo dia tem colheita por ele crescer muito rápido. A gente colhe, limpa e já embala em pacotes de um quilo, armazenando em uma câmara fria. Os produtos vão saindo durante a semana, de acordo com os pedidos sendo despachados", revela.

O preço do shimeji varia conforme o volume da compra. Para restaurantes que encomendam mais de 50 quilos, o quilo é vendido entre R$ 20 e R$ 22. Já para pedidos menores, o valor fica entre R$ 25 e R$ 28 por quilo. Daniela, no entanto, afirma que esses preços ainda estão abaixo do considerado ideal para a comercialização.

"Tudo depende da quantia que a pessoa vai comprar, mas esse não é o valor ideal de venda. Há muitos produtores no estado que são muito competitivos e possuem um preço muito agressivo. Estamos competindo com eles", reforça.

Além da concorrência com grandes produtores, a necessidade de comercializar rapidamente o shimeji, por ser um alimento altamente perecível, também dificulta a obtenção de melhores preços.

"Às vezes, acabamos vendendo por um valor mais baixo justamente pelo cogumelo ser um produto perecível. Ele precisa ficar resfriado e tem um giro rápido. Se não vendermos, acabamos perdendo o cogumelo. Temos essa dificuldade no mercado", lamenta.

Apesar dos desafios, a produtora acredita que o cultivo de shimejis é uma atividade rentável para ela, por se tratar de uma renda complementar. Acima do financeiro, ela preza pela qualidade do cogumelo, que é feito de forma artesanal pela família.

"Somos elogiados justamente pelo trabalho bem artesanal. Queremos deixar tudo ainda melhor para o consumidor final, mas ainda é rentável na quantidade que eu produzo. É uma renda média, já que eu tenho outra profissão. Além do valor monetário, o shimeji tem um valor especial para mim, que também envolve práticas sustentáveis que eu valorizo muito", finaliza.

Estufa de Daniela fica em Tatuí (SP) — Foto: Arquivo pessoal

Quem é fã da culinária asiática provavelmente já experimentou — ou ao menos conhece — o shimeji. De sabor suave e capaz de absorver facilmente os temperos, o cogumelo conquistou espaço no cardápio dos brasileiros e vai muito além dos sushis: também é ingrediente de massas, risotos, hambúrgueres e outras receitas adaptadas ao paladar nacional.

Com o aumento da procura pelo fungo, produtores rurais da região de Itapetininga (SP) encontraram na fungicultura uma oportunidade de unir inovação e rentabilidade. Originário de florestas de clima frio do Japão, da China e das Coreias, o shimeji precisou passar por adaptações para ser cultivado nas condições climáticas brasileiras.

Gustavo Cunha é um dos produtores que cultivam shimeji em Itapetininga. Ele explica que o processo de desenvolvimento do fungo não é simples, começando pelo preparo de um "composto", que pode ser feito a partir de diferentes substâncias, incluindo bagaço de cana.

"O composto mais usado aqui na região é feito de braquiária [capim]. É um material que tem em bastante abundância aqui no país. Mas, também, os produtores podem utilizar bagaço de cana ou uma roçada simples, de palhada", conta.

Cogumelo shimeji é 'queridinho' da culinária asiática — Foto: Arquivo Pessoal

Além da braquiária, o composto também leva substâncias químicas, como o nitrogênio. A etapa final de preparo conta com a adição de cal, com o intuito de neutralizar o potencial hidrogeniônico (pH) antes do crescimento do fungo.

"Entramos com uma fração de hidrogênio, que é geralmente farelo de trigo ou de arroz. O cal serve para estabilizar o pH. Em época de chuva, a braquiária fica escassa, então, temos que recorrer a outras alternativas às vezes", observa.

"Esse aí é o volumoso, que a gente chama de carbono. E depois a gente entra com uma fração de nitrogênio, que geralmente é farelo, farelo de trigo, farelo de arroz. E depois também a gente adiciona um pouco de cal para estabilizar o pH", completa.

Segundo Gustavo, o composto é a parte mais delicada do cultivo do cogumelo. Em seguida, ele é submetido a um tratamento térmico, com a temperatura sendo controlada por cerca de uma semana.

"A temperatura é controlada para verificar a umidade e esterilizar o composto. Depois disso, ele é inoculado, ou seja, como se fosse 'plantar' o fungo do shimeji nesse composto. Em seguida, ele passa um tempo de incubação. No caso desse cogumelo, ele fica na faixa de 14 dias em uma sala escura e de baixa umidade, sem ventilação", explica.

Ao g1, o produtor explica que o shimeji começa a dar frutos depois de sete dias após a incubação. Depois do processo, o fungo é transferido para um ambiente oposto ao que estava: uma sala com alta umidade, ventilada e iluminada.

Gustavo cultiva shimejis em Itapetininga (SP) — Foto: Arquivo pessoal

Gustavo afirma que, por causa da complexidade do cultivo e das "exigências" do cogumelo, o custo pode sair mais alto do que o pensado por produtores rurais que desejam iniciar no ramo. Porém, os resultados são positivos: devido à rápida proliferação, cada colheita pode render frutos todos os dias por até dois meses.

"O que encarece é o preparo do composto. Exige maquinário e principalmente mão de obra, que é um fator bem limitante. Se você quiser fazer o composto e ter agilidade, precisa de umas oito pessoas. É uma cadeia meio delicada, já que, se você quiser reduzir [a mão de obra], você precisa investir em mecanização", diz.

Entretanto, o shimeji é um dos cogumelos mais fáceis de cultivar na fungicultura e é a espécie mais produzida comercialmente, segundo a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA-SP).

O produtor escolheu cultivar o shimeji principalmente pelo ciclo mais curto de produção. Diferentemente do shiitake, que leva cerca de três meses para frutificar, o shimeji produz os primeiros cogumelos em um período menor.

"O shimeji branco é menos descomplicado e precisa de uma temperatura menos fria, conseguindo ser cultivado em até 28ºC. O shiitake é 15ºC. Na região de Itapetininga, eu precisaria investir mais no ar-condicionado, em uma sala mais climatizada", pontua.

Shitake e shimeji são alimentos que despertam gosto umami — Foto: Fábio Tito/g1

Segundo a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA-SP), São Paulo concentra cerca de 90% da produção nacional de cogumelos. As regiões de Mogi das Cruzes, Sorocaba e Bragança Paulista se destacam no cultivo. Entre as espécies mais produzidas estão o shimeji e o shiitake, seguidos pelo champignon de Paris.

"O composto do shimeji envolve materiais mais simples de se achar, enquanto o shiitake não. Ele precisa de lignina, que é encontrada na madeira. Por demorar três meses para ser cultivado, você corre o risco de descobrir alguma contaminação e descartar o lote inteiro já no segundo mês de produção", afirma Gustavo.