Boletim de informações COVID-19 n° 795 Tatuí, 30 de setembro de 2022, sexta-feira, 11h00

1 PACIENTES HOSPITALIZADOS
5 INFECTADOS EM TRATAMENTO
46 DIAS SEM ÓBITOS PELA COVID-19
4 CASOS CONFIRMADOS EM 7 DIAS
0,57 MÉDIA MÓVEL DE CASOS POR DIA

Fonte: Prefeitura de Tatuí

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

homenagem | RIP (Cristina Siqueira)

RIP

À querida Mestra Leila Sallum
minha querida Professora de Português,

Parece que eu a vejo aqui, agora. Ouço sua voz, sua entonação, vejo seus gestos seu ar de que está falando sozinha tal é o envolvimento com todo seu conhecimento que lhe toma total atenção.

Dona Leila foi aquela professora que tinha o dom de incendiar minha mente e arrebatar meu coração.

Retratava brilhantemente poetas e escritores, tinha predileções mas não impunha seu gosto literário.

A língua portuguesa com ela deixou de ser uma matéria chata, ela nos entregava matéria viva. Nos intervalos das aulas me lembro de ficar compondo poemas na lousa pelo prazer de criar e depois com entusiasmo ela me incentivava a prosseguir. E descobri que em poesia também se devia contar os versos e combinar as rimas até que elas se soltassem de sonetos e alexandrinos compondo com o vento um jeito de dizer mais livre.

E como doeu a leitura do Navio Negreiro, com muito Amor aprendi a gostar de Castro Alves, Guilherme de Almeida, Olavo Bilac, Manuel Bandeira, Cecília Meireles.

Estudiosa do escritor Paulo Setúbal, conterrâneo, acadêmico, ilustre personagem de Tatuí, escreveu sobre ele alguns estudos e um livro que se encontra na estante da minha biblioteca. Consagrou sua memória criando com outros intelectuais da cidade a Semana de Paulo Setúbal com Concurso Literário.

Durante décadas escreveu "obituários" que publicava no Jornal O Progresso de Tatuí a cada figura da cidade que se despedia da vida e ela em sua verve dramática nos apresentava a síntese no fechamento daquela história carregada de sentimentos.

Quando retornei de Belo Horizonte para Tatuí trazia na bagagem os restos de um amor desfeito, escritos desordenados, o "it" de meu rock 'n' roll. Fiquei à deriva tentando me encontrar com o que já havia passado, precisava encontrar chão, raiz, tinha comigo menos do que nada. Dona Leila nesta época me acolheu com o maior carinho e todo santo dia nos encontrávamos para ler e revisar meus escritos num caderno de 200 folhas com capa dura. Com ela estiquei as tardes, aprendi, despertei todo o gosto por escrever como algo que eu não poderia mais abandonar, chorei e ri.

E assim foi, em todos os meus projetos ela foi o Anjo da Guarda, a força mestra da primeira inspiração. No meu primeiro livro "Papel" ela escreveu a orelha e no livro "Prisma" a primeira entrevista foi com ela que havia me dito que "homenagem se faz em vida, depois de que adianta um busto na praça". Quis na verdade captar o reflexo dos personagens daquela época, naquela nossa cidade e nada mais justo que ela fosse a primeira homenageada.

Sobre ela tenho muito a dizer tal a admiração que sinto e gratidão por sua generosa amizade. E Deus há de lhe preparar um caminho de luz com seus anjos guardiões e com os espíritos de todos os seus que já partiram. Aos familiares e amigos um lamento de saudade por esta estrela que nos iluminou com sua sensibilidade e conhecimento.

Dona Leila, professora querida, fez da alma sua devotada profissão.
Falar dela é como acender a luz e em seu reflexo ver o desenho de uma escola, uma sala de aula e fulgurante Amor.

Cristina Siqueira
Obrigada


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