quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Funcionário mora em obra parada de unidade de saúde em Tatuí

Antônio Benedito vive na obra abandonada desde
setembro (Foto: Reprodução/TV TEM)
Auxiliar de serviços vive no edifício abandonado: 'Fico aqui sozinho, só eu e Deus'.

Do G1- A construção de uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) foi interrompida e se tornou “moradia” para um dos funcionários contratados para a obra, em Tatuí. O auxiliar de serviços Antônio Benedito, que saiu do Maranhão, vive sozinho no edifício abandonado desde que os serviços foram interrompidos, em setembro deste ano. A previsão era de que o prédio fosse finalizado um ano antes, em setembro de 2014. “Fiquei trabalhando aí e quando parou eu continuei para receber. Agora eles me pagaram, mas falta receber o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Ainda precisa fazer a homologação da rescisão. Enquanto isso fico aqui sozinho, só eu e Deus”, afirma.

Com mais de 1,2 mil metros de área construída e R$ 2 milhões investidos, o prédio, que atenderia 300 pacientes por dia, junta entulho e sujeira. Enquanto os trabalhos eram realizados, Benedito e outros 10 funcionários dormiam em um alojamento improvisado próximo ao local. “Dormia todo mundo aqui”, relata o trabalhador.

Imagens do depoimento do auxiliar de serviços à reportagem da TV TEM foram mostradas ao advogado trabalhista Adeilson José de Freitas. Segundo ele, o funcionário não poderia estar desamparado sem lugar para ficar. No espaço há apenas uma geladeira e um colchão jogado no chão à disposição do hormem.

“Este trabalhador está abandonado à própria sorte pela empresa pagadora e por parte do Poder Público. Vivendo no ambiente em que trabalhava e convivendo com riscos à saúde. Além disso, o alojamento citado não possuía condições de acolher os funcionários”, destaca Freitas.

Esclarecimentos
Em nota, a empresa RTA Engenharia disse que a prefeitura suspendeu o serviço temporariamente por 120 dias e que está com nota fiscal atrasada para receber do órgão. A companhia respondeu que assim que receber o repasse de verbas irá fazer a homologação da rescisão contratual do trabalhador.

Conforme o Executivo, a obra parou pelo agravamento da crise econômica no país, o que inviabilizou o repasse federal de recursos. A administração municipal informou ainda que a responsabilidade do pagamento ao funcionário é da própria empresa e ressaltou que disponibilizará ajuda por meio da Secretaria de Assistência Social.

Sobre a falta de repasses federais, o Ministério da Saúde alegou que não houve atrasos na passagem de recursos. O órgão apontou que fez o investimento de R$ 1,5 milhão, referentes às duas parcelas da obra. As duas últimas, no valor R$ 500 mil serão pagas assim que a prefeitura provar que o trabalho acabou e está em funcionamento. A Pasta indicou que o Executivo já foi notificado sobre o atraso do serviço e sobre a falta de documentação para que a última parcela seja paga.

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