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Tatuí, 


sábado, 8 de dezembro de 2018

crônica / Ana Moraes


O canto

Em uma loja de materiais de construção, havia, além de blocos, areia e pedra, gaiolas penduradas no teto as quais, na visão do dono, serviam de casa para alguns passarinhos. Ficavam ali presos o dia todo, cantarolando e gastando o dom atribuído a eles pela natureza para deleitar os clientes.

Apesar de belo o canto, havia algo de errado. O fato de uma criatura ficar presa. Limitada por aquelas barras de ferro em um tormento diário de poder bater suas asas e não poder ir além. A sua única liberdade era cantar. Emanar o canto que voava livremente por todos os lados.

Ironicamente o que fizera-o prisioneiro, inocentemente, foi seu dom de cantar. Fosse um pássaro mudo, que fosse ruim no piar, e estaria livre para viver voando. Mas o seu dom, como uma seleção artificial, lhe remetera aquele cubículo metálico, limitando-o apenas a sua única profissão obrigatória e escravagista.

Olhe o passarinho, como pode ficar preso? Tome cuidado e não deixe que te prendam por causa do teu canto. Não se deixe tornar um passarinho preso em gaiolas. Seja livre e jamais se submeta a uns e outros que acham que podem te limitar para satisfazerem seus desejos. Voe e cante. Seja um pássaro sonhador. Nunca troque tua liberdade e felicidade por nada. Apenas voe, voe, voe ...


A.M.O.R.
(Ana Moraes de Oliveira Rosa)

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