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terça-feira, 3 de abril de 2018

Julia Abrame tem alta de hospital após transplante

Menina estava internada desde fevereiro e fez transplante com o pai, que tem órgão 50% compatível. Ela foi diagnosticada com leucemia há seis anos.

Por Paola Patriarca, G1 Itapetininga, editada pelo Diário de Tatuí

Júlia Abrame recebeu alta de hospital nesta terça-feira (3) (Foto: Arquivo Pessoal/Adriana Abrame)

A pequena Júlia Abrame de Oliveira, moradora de Tatuí que motivou uma fila gigante em outubro do ano passado para doação de medula óssea, recebeu alta do hospital nesta terça-feira (3), segundo a mãe dela, Adriana Abrame.

Júlia estava internada desde fevereiro no hospital Santa Marcelina, em São Paulo, onde passou por um transplante de medula óssea.

Como a família não encontrou um doador 100% compatível, o transplante foi feito com o pai, que tem o órgão com 50% de compatibilidade.

No dia 28 de fevereiro, os pais foram informados pela equipe médica que o procedimento “foi um sucesso” e a medula nova “pegou” no corpo da Júlia. Para a família, a alta significa um recomeço.

“Estamos muito felizes com tudo isso, porque não esperávamos. Deu tudo tão certo e os exames estão tão bons que ela vai precisar ir duas vezes por semana em São Paulo apenas para fazer o acompanhamento e não um dia sim e um dia não."

"Então, estamos voltando pra casa, onde continuaremos com o tratamento com medicamentos e uma série de cuidados. Mas o pior já passou e agora é uma nova vida”, conta a mãe, Adriana Abrame.

Ainda de acordo Adriana, uma festa foi feita para comemorar o “renascimento” de Júlia.

“É uma alegria que não cabe no peito. Minha filha nasceu de novo. Sabíamos que era um processo que não ia ser fácil, mas estávamos crendo que tudo daria certo. A Júlia não desistiu e graças a Deus tivemos essa notícia maravilhosa. Fizeram até festa pra comemorar”, diz.

Júlia Abrame ficou internada desde fevereiro para transplante de medula óssea (Foto: Arquivo Pessoal/Adriana Abrame)

'Faria de novo, mil vezes'

O pai da Júlia, Antônio Sérgio de Oliveira, disse ao G1 que o sentimento é de gratidão após ter feito o procedimento de doação de medula para sua filha.

“O sentimento agora é de gratidão. A gente faz tudo pelos nossos filhos. Então, pela minha filha, eu faria de novo, mil vezes se fosse necessário, a doação de medula óssea. O que importa é que ela fique bem e se recupere”.

Júlia Abrame comemora sucesso de transplante de medula óssea (Foto: Arquivo Pessoal/Adriana Abrame)

Doença

Júlia foi diagnosticada com leucemia há seis anos e os pais lançaram uma campanha nas redes sociais em busca de um doador de medula óssea, já que nem a irmã mais nova é 100% compatível.

Como não encontraram um doador compatível e o organismo da menina não suporta mais quimioterapia, os médicos sugeriram que Júlia fosse submetida ao transplante de medula haploidêntico, que é feito com alguém 50% compatível. No caso, o doador foi o pai.

Júlia Abrame com os pais Antônio Sérgio e Adriana Abrama (Foto: Arquivo pessoal/Adriana Abrame)

Transplante

Segundo a oncologista Luíza Milare, que acompanha o tratamento da garota no Hospital do Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil (Gpaci) em Sorocaba (SP), o transplante haploidêntico tem sido uma solução apontada pelos especialistas, já que a chance de encontrar um doador 100% compatível é uma a casa 100 mil.

“O haploidêntico é uma solução apontada pela medicina para os casos que não são curados com quimioterapias e pessoas que não encontram o doador 100% compatível. Para fazer é necessário que a Júlia zere sua medula com quimioterapia e depois faça o procedimento. A pessoa que doará também é submetida a uma série de exames", explica.

Júlia Abrame durante tratamento em hospital de Sorocaba (Foto: Arquivo Pessoal/Adriana Abrame)

Fila gigante

Campanha para cadastro de medula óssea mobilizou centenas em Tatuí (Foto: Arquivo Pessoal)

Mais de 1,6 mil pessoas formaram uma fila para se cadastrar como doador de medula óssea para ajudar a Júlia no dia 28 de outubro. O mutirão foi organizado no Centro Médico de Especialidades Médicas (Cemem) por uma amiga da mãe da menina, que é enfermeira e se sensibilizou pela história.

“Fiquei emocionada com tanto amor e carinho das pessoas que se mobilizaram para ajudar uma criança, muitos nem a conhecem, mas deixaram de lado seus afazeres e enfrentaram uma fila para se cadastrar. Além dessas pessoas, recebi mensagem de outros estados e até da Argentina e Dubai, dizendo que fizeram o cadastro para ajudar a Júlia. Eu só tenho a agradecer”, conta emocionada.

Adriana conta que, além das pessoas que se cadastraram, cerca de 400 pessoas foram dispensadas, pois havia acabado os kits para coleta de sangue.

“A campanha estava prevista para acabar às 17h, mas soubemos que antes desse horário já havia acabado os kits e então tiveram que dispensar as pessoas que estavam na fila”, explica.

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