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Tatuí, 


domingo, 16 de setembro de 2018

Funcionários demitidos da Comanche Biocombustíveis aguardam receber direitos trabalhistas há sete anos em Tatuí

Segundo ex-funcionários, mais de 500 pessoas ficaram desempregadas e entraram com ações judiciais. 

Por Bruno Casteletto, TV TEM, editado pelo DT

Funcionários da Comanche Biocombustíveis ainda aguardam para receber direitos trabalhistas

16/09/2018 - Os funcionários que foram demitidos pela Comanche Biocombustíveis, usina de açúcar desativada em Tatuí, afirmam que estão desde 2011 sem receber os direitos trabalhistas. Na época, mais de 500 trabalhadores ficaram desempregados e entraram com ações judiciais contra a usina.

A empresa ficava no bairro Congonhal, zona rural da cidade. Segundo os funcionários, ela funcionou durante quase sete anos, e atualmente o local está abandonado.

O ex-funcionário da empresa Ronaldo Nascimento dos Santos conta que entrou na usina em 2007 para trabalhar no departamento financeiro. Nos primeiros anos os pagamentos não atrasaram, porém a partir de 2010 começaram os problemas.

"No começo eles falavam que era para aguardar, pois estavam fazendo algumas negociações para outras unidades que tinham fora de São Paulo, e que iria entrar algum dinheiro, mas foi só promessa. Estamos esperando há muito tempo, e sabemos que eles têm condições de fazer um acordo com a gente. Já deveriam ter feito", conta.

Ele também afirma que no ano seguinte a empresa demitiu todos os funcionários. Ronaldo entrou com uma ação na Justiça contra a empresa e o processo corre no Tribunal Regional do Trabalho de Tatuí.

Segundo um cálculo feito por um perito do tribunal, em 2016 o valor que Ronaldo deveria receber chegava a R$ 228 mil, agora, o ex-funcionário diz que deve passar dos R$ 300 mil.

E ele não foi o único a processar a empresa. Ao todo mais de 400 trabalhadores entraram com uma ação conta a usina.

A professora Renata Guerini Machado conta que começou a trabalhar na empresa em 2004 como engenheira química. Ela explica que, em 2016, os responsáveis chegaram a fazer um acordo com parte dos funcionários, mas nada foi cumprido.

"Na audiência eu aceitei o parcelamento da rescisão e eles cumpriram com a primeira parcela, metade do valor apenas. O advogado tomou as providências necessárias, mas não deram sequência. Eu espero que os funcionários cumpram com os acordos, com os pagamentos, e que a empresa retorne as suas atividades gerando novos empregos para que a gente resolva isso o mais breve possível", diz.

A reportagem da TV TEM tentou entrar em contato com representantes da usina, mas não obteve retorno.

Mais de 500 trabalhadores ficaram desempregados e entraram com ações judiciais contra a usina em Tatuí — Foto: Reprodução/TV TEM

Segundo Juliano Alexandre Ferreira, procurador do Ministério Público do Trabalho de Sorocaba, não cabe mais recursos por parte da empresa.

O juiz do caso nomeou um perito contábil que está calculando o valor devido aos ex-funcionários. Na avaliação do procurador, o fechamento da usina dificulta o processo.

"Na verdade complica ainda mais porque a empresa deixa de ter caixa para fazer frente a essa ação, por exemplo. Mas nós temos buscado mecanismos, que lá atrás foram arrestados bens da empresa para que suportem os valores devidos na execução", explica.

A Comanche Biocombustíveis fica no bairro Congonhal, na zona Rural de Tatuí — Foto: Reprodução/TV TEM

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