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Tatuí, 


domingo, 27 de junho de 2010

Vera Holtz e Dayse Lúcidi se destacam na trama de Passione

Do site extra.globo.com
Texto: Carolina Marques 
Fotos: Fábio Guimarães
Maquiagem: Ewerton Pacheco



Elas começaram na carreira em épocas bem diferentes. Uma em radionovelas, a outra nos palcos de teatro. Enquanto a primeira é casada há 63 anos e tem filhos, netos e bisnetos já grandes, a segunda é solteira e não quis repetir o modelo delegado à maioria das mulheres que já nascem predestinadas a formar uma família. A dupla, no entanto, tem mais em comum do que se pode supor. Nasceram no mês de agosto e sob o signo de leão defendem as novas personagens, que já caíram na boca do povo e são as mais populares de “Passione”. Na pele de Candê e Valentina, Vera Holtz, de 57 anos, e Dayse Lúcidi, de 80, encarnam com maestria o bem e o mal, e quando se unem em cena, não tem quem não as ame.
Por mais que Valentina seja uma mulher amoral, uma cafetina que vende as próprias netas a velhos babões e decadentes, os olhos ficam grudados nela durante a novela das oito. O que também ocorre com a matrona e batalhadora Candê, que, na contramão da amiga e vizinha, tenta de tudo para manter as filhas na linha.
— É até estranha essa amizade delas. Como pode pessoas tão diferentes se darem tão bem — questiona Dayse: — Talvez uma sirva de amparo à outra, num mundo de tanto abandono — opina Vera.
Seja lá qual for a razão, o público só tem que agradecer. Dayse confessa que até ficou com receio de levar umas bolsadas na rua. Ela própria tem vontade de dar uns tapas em Valentina.
— Todo mundo dizia que eu iria apanhar com essa personagem. Fiquei com medo, né? Ando muito na rua, gosto de ir a supermercados e isso é um ótimo termômetro. Sabe que as pessoas até vêm tirar foto comigo? Ás vezes, acho até estranho alguns gostarem dos vilões — avalia Dayse.
Para Vera, não é identificação o que as pessoas sentem por Valentina. A repulsa vem na frente, mas o deslumbramento em ver alguém comum fazer tantas barbaridades é quase uma catarse.
— Os vilões podem tudo, não têm comprometimento. Em algum momento, todo mundo deseja poder fazer e falar o que bem entende. Não que vão vender seus filhos por aí — justifica.
Dayse, porém, ainda se choca. Fica mais perplexa ao perceber que a trama da novela atravessa a barreira da ficção:
— Outro dia entrei num bar e pedi um café. O balconista disse: “a senhora, heim, Dona Valentina? Vendendo a própria neta”. Achei curioso. depois, veio outro e me contou que ali bem perto do bar, na Praça Quinze, uma mulher negociou a filha durante anos. A menina era virgem e ela dizia que podiam fazer tudo com ela, menos tirar-lhe a virgindade. Isso é revoltante.
Enquanto, amém, não existem centenas de Valentinas por aí, o que tem de Dona Candê não está no gibi. Vera sente a identificação imediata do público. Sentiu desde a primeira semana de novela no ar:
— Fui a Curitiba e quando entrei no avião disseram: “olha lá a mãe do Gianecchini”. E depois sempre chegava alguém para dizer que tem uma Dona Candê. Vi logo que essa mulher ia pegar.


Pelo direito ao cabelo branco
Foi justamente ser “a mãe de Gianecchini” a primeira informação que Vera teve sobre Candê.
— Essa minha parceria com o Silvio (de Abreu, o autor) é ótima. Primeiro, ele me deu o Cauã (Reymond, em “Belíssima”, como namorado da personagem), e agora o Gianecchini. Ele deve gostar muito de mim (risos) — diverte-se.
Depois vieram a profissão, uma feirante do Ceagesp, a principal central de distribuição de hortifrútis da América Latina, em São Paulo, e finalmente o núcleo familiar e seus conflitos, que não são poucos. Para mergulhar no universo dessa mulher árida, porém extremamente humana, vera retornou às origens. 
— Fui para perto da família. Convivi muito com minhas irmãs, minhas primas. Para pegar de novo esse olhar, essa comunicação, o jeito do interior. Ela tem um jeito rápido de falar, uma urgência nas palavras que a gente só encontra no interior. Eu já tinha perdido um pouco isso — conta ela, que é de Tatuí, no interior, de São Paulo.
Dayse não precisou mergulhar tão fundo a ponto de sair do Rio para entrar na pele de Valentina. Pelo contrário. Foi a partir do figurino que ela apareceu.
— Primeiro, provei coisas mais sóbrias, mas o Sílvio achou que seria chique demais para ela. Me pediu que nunca usasse mangas em cena e que tivesse essa aura meio bagaceira mesmo. A Valentina é desleixada — descreve Dayse.
Já Vera, pediu à caracterização que permanecesse com os cabelos brancos em cena, que já usa há tempos. 
— Já é meu terceiro trabalho na TV com este cabelo. Claro que isso também tem uma causa, a do direito de as mulheres não pintarem seus cabelos. As pessoas perguntam se eu assumi o cabelo branco. Mas gente, não sou eu que assumo os fios brancos, mas as mulheres que assumem suas tintas — defende: — Achei também que ela deveria ser mais rechonchudinha, despida de vaidade em nome da família e do trabalho.
No dia a dia, no entanto, a vaidade grita e é encarada com bom humor pelas atrizes, que não se cansam de ouvir que são mais magras fora da TV.
— Pareço um armário dúplex de nove portas com aquelas roupinhas da Candê, né? (risos). Já falei pra Dayse, temos que sair muito bem arrumadas de casa para dar um up na autoestima. Mas falando sério, não ligo para nada disso. A novela me dá a oportunidade de ser outra pessoa, brincar com isso — observa Vera: — É engraçado mesmo, quando uma está sem manga e a outra de casaquinho o que mais me perguntam é se, afinal, está frio ou calor naquele bairro — conta Dayse.


Instinto materno 
Nenhuma das duas sabe ainda quando Candê vai descobrir quem é de verdade a amiga e confidente. Até lá, Valentina vai passar por poucas e boas. Numa delas, a Kelly (Carol Macedo) vai se recusar a sair com um amigo da avó, que pagou pelo encontro. São cenas como esta que deixam muita gente revoltada e até questiona a escolha da atriz pelo papel:
— Me perguntam como posso ter aceitado fazer essa cafetina tão diferente de mim. Mas o barato é este.
Em casa, Valentina já é o alvo preferido das piadinhas dos filhos e do marido da atriz, o radialista Luís Mendes.
— Tenho uma neta, sabe, muito bonita. Está solteira, conhece um monte de gente interessante e disse a ela: “minha filha, você tem que conhecer um destes rapazes, empresários, se casar bem...”. Aí meu marido cotou: “ih, ta levando muito a sério esse personagem, heim!” (risos). Mas só quero que ela seja feliz. E meu neto mais velho disse outro dia que não sabia se ia me beijar porque estava com raiva de mim (risos).
Vera ainda não foi alvo da família. Mora longe de todo mundo, dividindo-se entre Rio e São Paulo. Em breve, passará mais tempo na terra da garoa, onde reforma o apartamento. A feirante das oito parece estar cutucando certos instintos que Vera nem sabia existir, como o da maternidade.
— Existiu um momento em que fui ficando mais velha e que a vida me trouxe os filhos da ficção, que acabam sendo meus na vida, o Cauã, a Maria Flor... Essa personagem me trouxe um certo instinto. Me peguei falando com o pedreiro que queria fazer um banheirinho de criança, com privadinha, piazinha. Ele ficou me olhando assim e disse: “mas você não tem filho!”. Mas vai que surgem crianças na minha vida... Admiro quem tem uma rotina de cuidar de alguém, não sei como é isso. Seria uma irresponsabilidade adotar uma criança e não ter tempo para ela.
Já Dayse, se pudesse, adotaria um bebê. 
— Ah, adoro bebês. Não posso ver um, mas meu marido me alertou: “Dayse, bebês crescem!” (risos).

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