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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Prefeitura de Tatuí assume administração da Santa Casa

Prefeitura de Tatuí – Evandro Ananias
Requisição aconteceu de maneira amigável – Conselho gestor inicia trabalhos amanhã

A Santa Casa de Tatuí passa a ser administrada diretamente pela Prefeitura de Tatuí a partir de desta quinta-feira, 28. A decisão aconteceu após o agravamento da situação administrativa e financeira do hospital, que culminou na manhã de hoje com nova greve dos funcionários que não receberam a última parcela do 13º salário, que deveria ser depositada na segunda-feira, 25. 

Desde às 8h, o prefeito José Manoel Correa Coelho, Manu, esteve reunido à portas fechadas com a provedora Nanete Walti de Lima, com o secretário da Saúde, Umberto Fanganiello Filho, Tuta, e com profissionais da área técnica tanto das pastas de Saúde e de Fazenda, Finanças e Planejamento. Às 13h, Manu assinou o decreto 16.655 requisitando a administração plena do hospital. O documento estabelece situação de emergência no Sistema Municipal de Saúde, requisitando bens, equipamentos, serviços móveis e utensílios pertencentes à Santa Casa de Misericórdia de Tatuí. Uma hora depois, em reunião na própria Santa Casa, Nanete anunciou o afastamento, pelo prazo de um ano, da atual provedoria - deixando oficialmente o comando do hospital. “A decisão foi tomada em conjunto, de maneira amigável, harmoniosa e consensual. Temos muitas dificuldades e um déficit mensal que chega a R$ 650 mil”, explicou. 

Mas a requisição já vinha sendo estudada há algum tempo, desde que a Prefeitura optou por participar efetivamente da administração da Santa Casa, a partir de uma gestão compartilhada envolvendo a São Bento Saúde, empresa especializada no diagnóstico e condução de hospitais filantrópicos. Na semana passada, o Frei Bento Aguiar encaminhou um documento, ao próprio prefeito Manu, no qual apresentou um diagnóstico completo da situação administrativa, a partir do trabalho dos últimos seis meses, recomendando que a Prefeitura assumisse definitivamente a gestão do hospital. 

O decreto define também a nomeação de um conselho de gestão, composto por três funcionários públicos indicados pela própria Prefeitura. São eles, Sandra Santos, diretora de saúde, na função de gestora geral; Fabiana Freitas, diretora de recursos humanos, como gestora administrativa, e Jefferson de Biagi Cândido Silva, técnico do setor de contabilidade, que atuará como gestor financeiro. 

Manu tratou a questão como um novo desafio em sua gestão. “Nos momentos de maior dificuldade é preciso arregaçar as mangas e assumir o desafio. Foi assim em todos os momentos da minha vida, será assim será assim novamente. A superação é a marca do povo tatuiano. Ainda mais quando o assunto é a nossa Santa Casa, o único hospital público da cidade. Peço o apoio e a colaboração para juntos vencermos essa batalha”, argumentou. 

Ainda na noite de hoje, o prefeito deverá se reunir com o grupo gestor e com o secretário da saúde. 

Repasses/ O prefeito lembrou que a Santa Casa deverá trabalhar com o recurso já previsto em orçamento. Em 2015, a entidade recebeu o maior aporte de recursos da história, R$ 20 milhões: R$ 7.151.931,79 relativos à subvenção dos plantões médicos, custeio e contrapartida municipal da contratualização do SUS, R$ 4.978.481,78 para subvenção do Pronto Socorro Municipal que é a porta de entrada do hospital, mais R$ 7.742.955,25 de recursos originários do Sistema Único de Saúde.

Os repasses exclusivos dos cofres municipais vêm crescendo progressivamente, ano a ano, na atual gestão. Em 2012, foram apenas R$ 3,8 milhões. Em 2013, R$ 4,2 milhões; em 2014, R$ 5,5 milhões e, em 2015, R$ 12,1 milhões: R$ 7.151.931,79 diretamente empregados no hospital mais R$ 4.978.481,78 para o PS.

Só em termos de subvenção e contrapartidas municipais o aumento foi de 86,8% em apenas três anos. “De fato. Em 2012, o repasse municipal chegava a R$ 3,8 milhões, enquanto o federal R$ 7,4 milhões, 30% e 70% respectivamente. Só no primeiro semestre de 2015, a Prefeitura repassou R$ 6 milhões e o SUS R$ 4,2 milhões, invertendo o subsídio para 60% e 40%. Precisamos encontrar mecanismos para otimizar esse recurso e conseguir novas receitas, a partir de convênios médicos, por exemplo”, finalizou Manu.

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