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domingo, 13 de maio de 2018

Mãe de menina que motivou fila para doação de medula conta sobre luta contra o câncer: 'Força veio de Deus'

Júlia Abrame foi diagnosticada com leucemia há cinco anos. Ela fez transplante com o pai, que tem órgão 50% compatível.

Por Paola Patriarca, G1 Itapetininga e Região, editado pelo DT

Adriana Abrame e filha Júlia Abrame (Foto: Arquivo Pessoal/Adriana Abrame)

13/05/2018 - No dia 4 de abril de 2013, Adriana Abrame deu à luz sua segunda filha. Três dias depois soube que a primogênita Júlia Abrame de Oliveira, que na época tinha apenas dois anos, estava com leucemia.

Para ela, o sentimento de felicidade por ser mãe pela segunda vez se misturou com o medo e incertezas sobre o que aconteceria com Júlia.

Contudo, cinco anos após o diagnóstico e de uma rotina intensa no hospital, Adriana garante que vive uma das melhores fases.

Em outubro do ano passado, ela e o marido fizeram uma campanha na web para achar um doador de medula óssea 100% compatível para a filha que não aguentava mais quimioterapia. A campanha motivou uma fila gigante na cidade.

Como não acharam, em fevereiro deste ano Júlia foi submetida a um transplante com o pai, que é 50% compatível, e o procedimento foi um sucesso.

Em comemoração ao Dia das Mães, a mãe da pequena Júlia relatou ao G1 como foram esses anos lutando contra o câncer.

“Quando eu soube da leucemia da Júlia eu perdi o chão. Tinha acabado de ganhar a Mariana, mas não curti esse momento porque soube que a Julinha estava com câncer. Foi um período terrível. Eu nunca pensei que passaria por isso. Mas depois que passa, tem que levantar a cabeça e lutar”, diz.

Júlia Abrame com os pais Antônio Sérgio e Adriana Abrame (Foto: Arquivo pessoal/Adriana Abrame)

Dificuldades

Adriana conta que precisou ficar com a filha no Hospital do Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil (Gpaci), em Sorocaba, assim que soube do câncer e encarar uma rotina com quimioterapias, exames e viagens. Por isso, ela deixou de trabalhar e o marido passou a ter dois empregos.

“A rotina de todo mundo mudou. A sorte que a Mariana pegou a mamadeira porque não consegui amamentar já que precisava ir ao hospital ficar com a Júlia. Então, acabei deixando ela muitas vezes com a minha mãe e irmã. Foi uma fase bem complicada. Mas depois que passa, tem que levantar a cabeça e lutar. Meu marido passou a se desdobrar com dois empregos e eu cuidando da Júlia.”

Júlia com a mãe e a irmã mais nova em Tatuí (Foto: Arquivo Pessoal/Adriana Abrame)

Segundo Adriana, uma das preocupações era não passar para a Júlia a tristeza e o medo, e também dar atenção para sua segunda filha.

“Você não pode passar para a criança que está com medo e triste. Apesar de ter fé que tudo daria certo, tem momentos de choro e medo. Mas nunca passei isso para ela. Eu mesma achei que nunca suportaria, mas minha força veio de Deus. Além disso, me preocupava com a Mariana para dar atenção a ela.”

Julia Abrame no hospital


Força

A mãe conta que o apoio de amigos, familiares e de outras mães com filhos internados com câncer a ajudou a continuar firme e não desistir da cura da Júlia.

“Todo apoio é essencial para a gente. Além dos amigos e familiares, recebemos muito apoio de mães que estão com os filhos internados também. Acabamos nos envolvendo e conhecendo muitas histórias no hospital. Esse apoio é muito importante”, ressalta.

Para Adriana, ser mãe é fazer de tudo para ver o filho bem.“A gente faz de tudo pra ver eles bem. Eu faria tudo de novo para ver minhas filhas bem. É um amor maior. Se minhas filhas estão bem, eu estou bem", ressalta.

Júlia Abrame durante tratamento em hospital de Sorocaba (Foto: Arquivo Pessoal/Adriana Abrame)

Fila gigante

Mais de 1,6 mil pessoas formaram uma fila para se cadastrar como doador de medula óssea para ajudar a Júlia no dia 28 de outubro. O mutirão foi organizado no Centro Médico de Especialidades Médicas (Cemem) por uma amiga da mãe da menina, que é enfermeira e se sensibilizou pela história.

Campanha para cadastro de medula óssea mobilizou mais de 1,6 mil em Tatuí (Foto: Arquivo Pessoal)

“Fiquei emocionada com tanto amor e carinho das pessoas que se mobilizaram para ajudar uma criança, muitos nem a conhecem, mas deixaram de lado seus afazeres e enfrentaram uma fila para se cadastrar. Além dessas pessoas, recebi mensagem de outros estados e até da Argentina e de Dubai, dizendo que fizeram o cadastro para ajudar a Júlia. Eu só tenho a agradecer”, conta emocionada.

Adriana conta que, além das pessoas que se cadastraram, cerca de 400 pessoas foram dispensadas, pois havia acabado os kits para coleta de sangue.

“A campanha estava prevista para acabar às 17h, mas soubemos que antes desse horário já havia acabado os kits e então tiveram que dispensar as pessoas que estavam na fila”, explica.

Transplante

Segundo a oncologista Luíza Milare, que acompanha o tratamento da garota no Hospital do Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil (Gpaci) em Sorocaba (SP), o transplante haploidêntico que a Júlia foi submetida tem sido uma solução apontada pelos especialistas, já que a chance de encontrar um doador 100% compatível é uma a casa 100 mil.

Júlia com os pais Antônio Sérgio e Adriane em hospital de São Paulo (Foto: Arquivo Pessoal/Adriane Abrame)

“O haploidêntico é uma solução apontada pela medicina para os casos que não são curados com quimioterapias e pessoas que não encontram o doador 100% compatível. Para fazer é necessário que a Júlia zere sua medula com quimioterapia e depois faça o procedimento. A pessoa que doará também é submetida a uma série de exames", explica.

Júlia ficou internada desde fevereiro no hospital Santa Marcelina, em São Paulo, onde passou pelo procedimento no dia 15 de fevereiro.

No dia 28 de fevereiro, os pais foram informados pela equipe médica que o procedimento “foi um sucesso” e a medula nova “pegou” no corpo da Júlia.

Júlia Abrame comemora sucesso de transplante de medula óssea (Foto: Arquivo Pessoal/Adriana Abrame)

'Faria de novo, mil vezes'

O pai da Júlia, Antônio Sérgio de Oliveira, afirma que o sentimento é de gratidão após ter feito o procedimento de doação de medula para sua filha.

“O sentimento agora é de gratidão. A gente faz tudo pelos nossos filhos. Então, pela minha filha, eu faria de novo, mil vezes se fosse necessário, a doação de medula óssea. O que importa é que ela fique bem e se recupere”.

Júlia Abrame comemorou 7 anos em hospital onde passou por transplante de medula (Foto: Arquivo Pessoal/Adriana Abrame)

Júlia Abrame recebeu alta de hospital nesta terça-feira (3) (Foto: Arquivo Pessoal/Adriana Abrame)

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