Boletim de informações COVID-19 n° 123 Tatuí, 30 de maio de 2020 - 11h

153 CONFIRMADOS
117 RECUPERADOS
10 ÓBITOS
26 SUSPEITOS
0 ÓBITOS SUSPEITOS

Fonte: Prefeitura de Tatuí

domingo, 17 de abril de 2011

Educadores se vestiram de palhaço em protesto contra o Estado

Professores da 'Salles Gomes' reclamam da falta de apoio à educação, equipamentos precários na sala de infromática e do prédio que necessita de manutenção
Do jornal O Progresso de Tatuí, edição de hoje
Foto: Kaio Monteiro

Os alunos do ensino médio da Etec “Salles Gomes” tiveram uma quinta e sexta, 14 e 15, inusitadas: os professores estavam dando as aulas vestidos de palhaços. Mas, a brincadeira tem um conteúdo sério, pois os educadores realizavam protesto contra a “falta de apoio à educação”, além do descontentamento com os salários e bonificações recebidas.

A manifestação foi pacífica, apenas aos redores do muro da escola, pois o ato é considerado, pelos próprios criadores, como “mais intelectual”. Mesmo assim, o coordenador do ensino médio e professor de biologia, Adriano José de Luca, reclamou das condições e do não apoio do governo estadual em relação às escolas públicas.

“Faltam recursos para os laboratórios, equipamentos e materiais de trabalho, além das lousas que estão trincadas. O dinheiro que vem de São Paulo não é suficiente para a nossa demanda. Nós temos um laboratório de informática com máquinas muito antigas e o prédio está sofrendo com infiltrações. Além disso, a manutenção do prédio é feita pela própria escola, mas o Estado é quem deveria arcar com isso”.

Outra reclamação constante dos professores é em relação aos salários. Neste quesito, de Luca relatou o que chamou de “esquecimento” do governo. “Nossa maior queixa é o esquecimento com a Educação. Eles (do governo) não lembram que existe a escola, e estamos sem uma remuneração condizente. Isso tudo vem acontecendo desde que Mário Covas entrou para assumir o Estado, com o abrandamento da progressão do aluno”.

O professor de biologia afirmou que a luta pelo aumento salarial não é apenas para melhorar a qualidade de vida do profissional da educação, mas dará a ele mais condições de participar de cursos superiores, como pós-graduação, e assim levar ao aluno um melhor conteúdo nas salas de aula.

Apesar de alguns adolescentes do ensino médio terem rido dos professores quando os viram nos corredores com as perucas, pintados e com o nariz de palhaço, a maioria dos alunos aderiu às reivindicações dos mestres e criou alguns cartazes de apoio. Para uma aluna de 15 anos, as aulas são boas, mas a escola necessita de melhorias.

“Não é melhor porque não temos verba. Sempre que precisamos de algo, como material para estudo, não tem. Um exemplo disso é o datashow. Quando o professor precisa dele, sempre está ocupado. Se tivéssemos mais dinheiro, daria melhores condições para o ensino”, disse ela.

“Os alunos gostaram e assimilaram, mas não deve ser visto como brincadeira. Devem observar que a manifestação partiu do intelectual. Assim, devem aprender a sempre reclamar do que não está certo”, completou o professor de português e literatura Deison Hornelas.

Hornelas foi o criador da manifestação e contou que a revolta com o Estado de São Paulo partiu do momento em que receberam a bonificação por mérito. “Desde o ano passado, a bonificação está implicando em um não incentivo para os professores, está parecendo uma verdadeira esmola. Faltam explicações e transparência com os professores nas premiações, e nós ficamos revoltados”. “Estávamos esperando uma margem de dois salários, porém, recebemos apenas um. Fiquei sabendo de um caso que o educador foi ‘bonificado’ com apenas R$ 200”.

“Além disso, não há estrutura na escola. Não temos segurança ou apoio psicológico. Há um tempo sofremos com a falta de um professor de matemática, mas esse problema já foi solucionado. Isso gera uma situação desgastante para quem trabalha com a educação, além do não interesse e desânimo que muitos vivem”, disse Hornelas.

A manifestação dos professores foi baseada numa atitude dos alunos do 3o ano, que organizaram um trote de formatura, propondo o “Dia do Profissional”. Na sexta-feira, 15, os formandos foram vestidos com as roupas características de cada profissão que deverão seguir. “E nós somos tratados como verdadeiros palhaços. Pai e mãe acreditam que a escola é uma creche. Mas, aqui, nós temos professores”.

Em resposta aos professores, a assessoria de comunicação do Centro Paula Souza informa que a direção da Etec “Salles Gomes”, em Tatuí, apresentou a todos os professores e servidores o índice que compõe o pagamento da bonificação por resultado referente a 2010 (Índice de Desenvolvimento do Ensino Técnico/Tecnológico), que também foi divulgado no “Diário Oficial”, em 24 de março de 2011.

Detalhes do SAI (Sistema de Avaliação Institucional) serão divulgados nas próximas semanas. De acordo com o Centro Paula Souza, outro fator que compõe a bonificação é o Índice de Dias de Efetivo Exercício (frequência de cada servidor, docente ou administrativo).

Segundo ainda a assessoria de comunicação, a Etec “Salles Gomes” não alcançou a meta definida e devidamente comunicada. O bônus pago foi de 1,56 salário. Considerando toda a rede de escolas técnicas estaduais do Centro Paula Souza, a bonificação máxima paga foi de 2,9 salários, para as unidades que alcançaram suas metas. O setor de comunicação destaca que, no período entre 2007 e 2011, o governo do Estado investiu, na Etec “Salles Gomes”, R$ 3.992.478,75, sendo R$ 3.408.234,91 em mobiliário e equipamentos, e R$ 584.243,84 em obras.

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