quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Diabéticos enfrentam dificuldade para receber sensor glicêmico pelo SUS em Tatuí

Prefeitura afirma que um problema com o distribuidor do aparelho prejudicou o abastecimento. Sensor permite que pessoas diabéticas consigam acompanhar o nível da glicemia sem precisar furar o dedo.

Por Alice Queiroz, TV TEM, com edição do DT

Prefeitura afirma que glicosímetros foram disponibilizados como alternativa
Foto: Reprodução/TV TEM

25/08/2026 15h43 | Os pacientes com diabetes em Tatuí enfrentam dificuldades para receber regularmente sensores de glicemia fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A prefeitura informou que houve um problema com o distribuidor e que o abastecimento deve ser normalizado.

O sensor permite monitorar os níveis de glicose sem a necessidade de furar o dedo várias vezes ao dia. Famílias que obtiveram na Justiça o direito de receber o aparelho relatam, porém, que os sensores não estão sendo entregues de forma regular.

Victor Santi é um dos pacientes que dependem do aparelho para controlar a glicemia. Segundo ele, são necessários dois sensores por mês, mas, na maioria das vezes, nenhum deles é entregue.

"Há uns três meses que não vem mais nenhum. Ou eu aceito voltar a viver como eu vivia há 10 anos, furando o dedo toda hora, ou eu tenho que dispor de um recurso que vai sair do meu orçamento mensal para gastar na farmácia", lamenta.

Para famílias com crianças, o impacto pode ser ainda maior. Arthur Salzalli tem apenas oito anos e é diagnosticado com diabetes tipo 1, precisando de acompanhamento constante.

À TV TEM, a mãe do menino, Flávia Salzalli, afirma que o controle da glicemia faz parte da rotina diária do filho. Segundo ela, a necessidade de furar o dedo várias vezes ao dia para medir os níveis de glicose é um incômodo para a criança.

"O sensor funciona como uma 'bola de cristal'. Você está sempre passando e verificando aquela glicose, é bem mais prático. Acredito que não seja fácil para uma criança ficar toda hora sendo picada no dedo. É cansativo para mim, é cansativo para ele. Eu tenho que acordar meu filho e furar o dedo. É um incômodo", desabafa.

Arthur tem oito anos e é diagnosticado com diabetes tipo 1 — Foto: Reprodução/TV TEM

O endocrinologista Pedro Centeio explica que o aparelho permite manter o monitoramento da glicemia, mas não oferece as mesmas informações fornecidas pelo sensor de glicose contínua.

"O glicosímetro faz uma foto momentânea do momento que o açúcar está no sangue, enquanto o monitoramento contínuo traz uma previsibilidade durante o dia e a noite. Além disso, ela demonstra tendências de quedas ou de subida na glicemia. Pensando em uma criança com diabetes tipo 1, ela teria que furar o dedo de 8 a 10 vezes por dia, trazendo desconforto e dor", explica.

A advogada Luane Mascarenhas explica que o produto não faz parte da oferta padronizada do SUS. Para obter o sensor, é necessário entrar com uma solicitação formal no sistema.

"Em caso de negativa ou de demora na resposta dessa solicitação, o paciente deve imediatamente procurar um advogado para fazer a judicialização desse caso e, assim, obter uma decisão judicial para conseguir ter acesso àquele medicamento ou a um material que está incorporado no SUS", diz.

Em nota, a Prefeitura de Tatuí informou que os sensores são fornecidos regularmente mediante decisão judicial. Entretanto, um problema recente com um novo distribuidor afetou o abastecimento do aparelho na rede pública.

Como alternativa, a gestão alega que disponibilizou os glicosímetros para garantir o monitoramento de todos os pacientes diabéticos que dependem do sistema público.

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