Por Alice Queiroz, TV TEM, com edição do DT
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| Prefeitura afirma que glicosímetros foram disponibilizados como alternativa Foto: Reprodução/TV TEM |
25/08/2026 15h43 | Os pacientes com diabetes em Tatuí enfrentam dificuldades para receber regularmente sensores de glicemia fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A prefeitura informou que houve um problema com o distribuidor e que o abastecimento deve ser normalizado.
O sensor permite monitorar os níveis de glicose sem a necessidade de furar o dedo várias vezes ao dia. Famílias que obtiveram na Justiça o direito de receber o aparelho relatam, porém, que os sensores não estão sendo entregues de forma regular.
Victor Santi é um dos pacientes que dependem do aparelho para controlar a glicemia. Segundo ele, são necessários dois sensores por mês, mas, na maioria das vezes, nenhum deles é entregue.
"Há uns três meses que não vem mais nenhum. Ou eu aceito voltar a viver como eu vivia há 10 anos, furando o dedo toda hora, ou eu tenho que dispor de um recurso que vai sair do meu orçamento mensal para gastar na farmácia", lamenta.
Para famílias com crianças, o impacto pode ser ainda maior. Arthur Salzalli tem apenas oito anos e é diagnosticado com diabetes tipo 1, precisando de acompanhamento constante.
À TV TEM, a mãe do menino, Flávia Salzalli, afirma que o controle da glicemia faz parte da rotina diária do filho. Segundo ela, a necessidade de furar o dedo várias vezes ao dia para medir os níveis de glicose é um incômodo para a criança.
"O sensor funciona como uma 'bola de cristal'. Você está sempre passando e verificando aquela glicose, é bem mais prático. Acredito que não seja fácil para uma criança ficar toda hora sendo picada no dedo. É cansativo para mim, é cansativo para ele. Eu tenho que acordar meu filho e furar o dedo. É um incômodo", desabafa.
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| Arthur tem oito anos e é diagnosticado com diabetes tipo 1 — Foto: Reprodução/TV TEM |
O endocrinologista Pedro Centeio explica que o aparelho permite manter o monitoramento da glicemia, mas não oferece as mesmas informações fornecidas pelo sensor de glicose contínua.
"O glicosímetro faz uma foto momentânea do momento que o açúcar está no sangue, enquanto o monitoramento contínuo traz uma previsibilidade durante o dia e a noite. Além disso, ela demonstra tendências de quedas ou de subida na glicemia. Pensando em uma criança com diabetes tipo 1, ela teria que furar o dedo de 8 a 10 vezes por dia, trazendo desconforto e dor", explica.
A advogada Luane Mascarenhas explica que o produto não faz parte da oferta padronizada do SUS. Para obter o sensor, é necessário entrar com uma solicitação formal no sistema.
"Em caso de negativa ou de demora na resposta dessa solicitação, o paciente deve imediatamente procurar um advogado para fazer a judicialização desse caso e, assim, obter uma decisão judicial para conseguir ter acesso àquele medicamento ou a um material que está incorporado no SUS", diz.
Em nota, a Prefeitura de Tatuí informou que os sensores são fornecidos regularmente mediante decisão judicial. Entretanto, um problema recente com um novo distribuidor afetou o abastecimento do aparelho na rede pública.
Como alternativa, a gestão alega que disponibilizou os glicosímetros para garantir o monitoramento de todos os pacientes diabéticos que dependem do sistema público.

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