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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Pacientes de Tatuí reclamam da demora para conseguir cirurgias

Moradora acionou a Justiça, mas ainda não teve cirurgia marcada.
'A dor é demais. Isso está mexendo com o meu psicológico', diz paciente.


Do G1 Itapetininga e Região

Dois moradores de Tatuí afirmam que estão há meses esperando por cirurgias de alta complexidade em hospitais da região e relatam que estão enfrentando dificuldades por conta da demora. Segundo os pacientes, algumas unidades hospitalares chegaram a negar atendimento.

A cozinheira Roseli Rodrigues Vieira Antunini, de 45 anos, é uma das prejudicadas. Ela conta que a troca da prótese que usa na perna direita deveria ter sido feita há dois anos. Segundo ela, em outubro de 2014 o Centro de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (Cross) marcou uma operação no Hospital Regional de Sorocaba para setembro de 2015. Entretanto, o procedimento foi cancelado. Inconformada, Roseli decidiu acionar a Justiça, que determinou em janeiro deste ano que ela fosse operada em um prazo máximo de um mês. No entanto, nada foi feito após sete meses.

Cozinheira aguarda por cirurgia há 7 meses após
determinação judicial (Foto: Reprodução/TV TEM)
“A dor é demais, não dá para fazer nada. Mesmo deitada sinto dor. Isso está mexendo com o meu psicológico e me deixando deprimida. Só quem passa por isso sabe como é”, afirma.

O aposentado Ralf Elamd está internado há um mês na Santa Casa de Tatuí devido a uma fratura na perna direita. Para conseguir realizar a cirurgia, ele precisa retirar a prótese que utiliza na perna esquerda. Contudo, a retirada não foi feita e, consequentemente, a cirurgia também não.

“Como faz 10 anos que eu coloquei a prótese, é necessário trocá-la. Fui enviado para o Hospital Regional de Sorocaba, mas eles me fizeram retornar. Eles alegaram que não têm a ferramenta para mexer nessa prótese e disseram que eu teria que voltar para Guaratinguetá, onde fiz a cirurgia, ou recorrer ao Cross, que até agora não está se movimentando para me arrumar um grande centro hospitalar, pois a minha cirurgia é de grande complexidade”, comenta.

Aposentado teve que parar tratamento de câncer e
não consegue operar (Foto: Reprodução/TV TEM)
De acordo com o aposentado, uma vaga tinha sido aberta para que a cirurgia fosse feita em São Paulo. Mas, depois de entrar na ambulância com a equipe, o procedimento foi cancelado devido à falta de equipamento na unidade em que a operação seria realizada.

O amigo de Elamd, Francisco Batista Dantas afirma que fica envergonhado por ver a dificuldade do amigo para conseguir uma transferência hospitalar e realizar a cirurgia. “Impossível uma pessoa ficar o tempo que está dentro do hospital e as pessoas não arrumarem uma solução para ele. Eu sinto vergonha de ver uma pessoa na situação dele, que está internado e abandonado no hospital”, lamenta.

Em nota, a Secretaria da Saúde informou que a Central de Regulação de Ofertas de Serviços (Cross) recebeu o pedido em nome do paciente Ralf Elamd e esclarece que já iniciou o processo de regulação dele para uma unidade de referência. O paciente, segundo a Secretaria, está sendo assistido na unidade de saúde em que se encontra e os médicos da Cross estão monitorando, constantemente, a evolução de seu quadro de saúde para efetivar sua transferência.

Ainda segundo a Secretaria, em relação ao caso da paciente Roseli Rodrigues Vieira Antunini, apenas no final de junho o Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) foi notificado sobre a ação judicial e a paciente segue em acompanhamento na unidade, sendo sua última consulta no dia 6 de julho deste ano. A nota afirma que o CHS está à disposição para prestar os devidos esclarecimentos à Justiça.

Outro caso
Em julho deste ano, outro caso que chamou a atenção na cidade foi o da jovem Jenifer Moraes, de 27 anos, que sofreu acidente e quebrou o osso da bacia. A vítima, que precisava ir para Sorocaba fazer a cirurgia, não obteve atendimento no local. Contudo, uma liminar obrigou o Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) a internar a paciente e operá-la. A operação aconteceu nesta segunda-feira (8) e a jovem passa bem.
Cirurgias dependem de transferências
hospitalares (Foto: Reprodução/TV TEM)


Na época, a equipe do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) que a socorreu chegou até a registrar um boletim de ocorrência contra a unidade. “Ela foi levada para lá, porém, retornou para o município. Eles alegaram que Sorocaba não seria referência para Tatuí. Então, a paciente voltou ao pronto-socorro e foi reiniciado o processo de pedido de vaga. Novamente, foi liberada uma vaga, que não é uma vaga cedida e oferecida pela Central de Regulação de Vagas, que encaminha os pacientes que precisam de atendimento médico de alta complexidade sem ser vaga cedida. Fizemos um boletim de ocorrência porque a paciente havia sido trazida de volta, até para dar segurança para a equipe do Samu”, explica a coordenadora do Samu de Tatuí, Roberta Machado.

Para a mãe de Jenifer, Simone Moraes, o que aconteceu é um “absurdo total”. “Um descaso contra a saúde. Da primeira vez que ela foi para lá, fizeram tomografia e a mandaram embora. Na segunda, nem examinaram. Apenas olharam, falaram que não tinha vaga e mandaram voltar”, reclama.

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