sábado, 14 de março de 2026

Peixoto Gomide: político de Itapetininga que matou a filha deve deixar de ser nome de rua em São Paulo; entenda

Peixoto matou a filha, Sophia Gomide, por não aceitar o noivado com o promotor público da cidade em 1906. Nome ganhou repercussão após a Câmara Municipal de São Paulo aprovar projeto de lei que propõe trocar identificação de via na capital paulista.

Por Pâmela Beker*, Carla Monteiro, Diogo Del Cistia, g1 Itapetininga e Região


12/03/2026 13h24  |  Peixoto Gomide é amplamente conhecido em Itapetininga (SP). O morador da cidade vizinha foi um advogado e um político muito influente no início do século passado.

No entanto, entre tantos pontos públicos que homenageiam Peixoto, há uma história trágica e desconhecida pelas pessoas. Um dos maiores escândalos da elite paulista à época, o político matou a filha, Sophia, por não aceitar o noivado da mulher com um promotor público da cidade, às vésperas do casamento.

O nome do político ganhou destaque nesta semana depois que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal de São Paulo aprovou, na quarta-feira (11), um projeto de lei que propõe trocar o nome da Rua Peixoto Gomide, que passa pelos bairros Bela Vista e Jardim Paulista, na capital paulista, por Rua Sophia Gomide, sua filha.

O projeto é de autoria das vereadoras Silvia Ferrraro, da Bancada Feminista (PSOL), e Luna Zarattini (PT), coautora do projeto.

Peixoto Gomide: político homenageado em escola, rua e praça protagonizou tragédia familiar

O nome Peixoto Gomide é amplamente conhecido em Itapetininga (SP). O morador da cidade do interior de SP foi um advogado e um político muito influente no início do século passado. Por isso é homenageado em uma das principais vias do município - também da capital paulista -, além de ter uma escola centenária e uma praça com seu busto.

No entanto, entre tantos pontos públicos que homenageiam Peixoto, há uma história trágica e desconhecida pelas pessoas. Um dos maiores escândalos da elite paulista à época, o político matou a filha, Sophia, por não aceitar o noivado da mulher com um promotor público da cidade, às vésperas do casamento.

O nome do político ganhou destaque nesta semana depois que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal de São Paulo aprovou, na quarta-feira (11), um projeto de lei que propõe trocar o nome da Rua Peixoto Gomide, que passa pelos bairros Bela Vista e Jardim Paulista, na capital paulista, por Rua Sophia Gomide, sua filha. A proposta ainda precisa passar por votação no plenário da Casa.

O projeto é de autoria das vereadoras Silvia Ferrraro, da Bancada Feminista (PSOL), e Luna Zarattini (PT), coautora do projeto.

Peixoto Gomide: político de Itapetininga (SP) deve deixar de ser nome de rua em São Paulo — Foto: Pâmela Beker/g1

Entenda o caso

Em 20 de janeiro de 1906, o advogado tirou a vida da jovem de 22 anos, dentro da casa da família, na Rua Benjamin Constant, em São Paulo. Segundo o professor Milton Cardoso, que se aprofundou na história da família em um estudo histórico, o crime teria sido motivado pela não aceitação do noivado de Sophia com o poeta e promotor público de Itapetininga, Manuel Baptista Cepelos. O casamento estava marcado para acontecer uma semana depois.

O caso abalou a sociedade paulistana da época. “A cena comoveu a ainda pacata São Paulo. Muitos desconhecidos e personalidades estiveram no enterro no Cemitério da Consolação”, relata Cardoso.

Seis dias depois da tragédia, uma comissão foi formada em Itapetininga para prestar homenagens póstumas a Peixoto. O grupo encaminhou ao governo estadual um pedido para que uma escola da cidade recebesse o nome dele. Assim nasceu a Escola Complementar Dr. Peixoto Gomide, uma das instituições de ensino mais tradicionais do município, hoje considerada patrimônio histórico.

Peixoto Gomide: político de Itapetininga (SP) deve deixar de ser nome de rua em São Paulo — Foto: Pâmela Beker/g1

Motivação do crime

Ainda em sua pesquisa, Cardoso destacou um trecho do livro “Diário Secreto”, escrito por Humberto de Campos em 1954, que explica a motivação do crime. Segundo a obra, Sophia Gomide correspondia à paixão de Cepelos, mas o pai não aceitou o noivado.

“Gomide opôs-se vivamente ao noivado, e foi quando, para forçar o pai ao consentimento, a moça confessou: 'Mas o senhor tem que consentir, porque eu já me entreguei a ele'. O velho entra em desespero. Toma um revólver, mata a filha e suicida-se depois. Cepelos era, também, filho do velho Gomide. Ao ter conhecimento do fato, Cepelos achou que não devia mais suportar a vida. Subiu à pedreira que dava para a rua Pedro Américo, e atirou-se do alto.”

Ao g1, Milton Cardoso comentou que o episódio abalou a sociedade paulista da época. “O caso teve repercussão em todos os jornais ativos no país, devido à posição política que Peixoto Gomide ocupava”, afirmou.

Durante a pesquisa para a produção de um livro comemorativo sobre a Escola Estadual Peixoto Gomide, Cardoso investigou e compartilhou a história. “Muitas pessoas que estudaram na escola me procuraram dizendo que não conheciam essa versão dos fatos e ficaram sabendo um pouco mais sobre a trágica história do antigo senador”, relembrou.

Escola estadual em Itapetininga

Em Em 1894, foi fundada a Escola Estadual “Peixoto Gomide", localizada na região central de Itapetininga — Foto: Divulgação/Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

Em 1894, foi fundada a Escola Estadual “Peixoto Gomide”, um dos primeiros grupos escolares do interior paulista e marco do início da institucionalização formal da educação pública fora da capital.

Para a reportagem, Rodrigo Almeida da Silva, diretor da escola, destacou que a fundação representou a consolidação de um projeto voltado a oferecer formação intelectual, profissional e cidadã aos habitantes da região.

Cerca de 28 anos após a criação, a escola recebeu oficialmente o nome de Peixoto Gomide, em homenagem póstuma à figura pública. A escolha do nome reforçava a valorização de sua trajetória na defesa do desenvolvimento do Estado, da educação e das obras públicas.

“A denominação da escola refletia o reconhecimento de Itapetininga à sua contribuição para o avanço educacional do interior paulista. Apesar do fim trágico de sua vida, a escolha de seu nome representou, à época, a valorização de sua trajetória pública e de seu compromisso com o progresso social”, disse Silva.

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