quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Tatuí (SP) x Birigui (SP): duas cidades do interior com o mesmo porte, mas “especializações” que mudam tudo

Da página Terra Trend, no Facebook

24/02/2026 |  Dá pra colocar Tatuí e Birigui na mesma prateleira demográfica, perto dos 120 mil habitantes, mas é aí que a semelhança termina. 

As duas são cidades médias típicas do interior paulista, dependentes de rodovias e redes regionais para trabalho, produção e circulação de gente. 

Só que cada uma construiu um “DNA” bem claro, e isso aparece no jeito que a economia gira, no tipo de emprego que domina e até no que atrai visitantes.

Tatuí carrega um título raro no Brasil: é reconhecida como “Capital da Música” e também como Estância Turística, com um ativo cultural que não é só simbólico, é estrutura: o Conservatório de Tatuí é apresentado como a maior escola de música da América Latina, e isso cria fluxo permanente de estudantes, eventos, serviços e consumo local.

Essa vocação cultural convive com uma economia bem “cidade polo” para o entorno: PIB em torno de R$ 6,8 bilhões, PIB per capita perto de R$ 54,7 mil e mais de 32 mil empregos formais. Na composição, serviços lideram (cerca de 55%), com indústria forte (quase 30%), além de administração pública e agropecuária.

E tem um detalhe que chama atenção: o mercado formal cresceu com força em 2025, com saldo positivo de milhares de vagas, indicando um município que segue ampliando atividade e atraindo gente para trabalhar, comprar e circular.

No cotidiano, essa mistura de cultura + economia aparece em símbolos bem locais, como a tradição dos doces caseiros e eventos que movimentam a cidade, além do componente industrial que vem ganhando espaço, inclusive com ramos ligados ao setor automotivo.

Birigui, por outro lado, é a cidade onde a especialização industrial vira identidade urbana. Não é só “tem fábrica”: Birigui é conhecida como polo de calçado infantil, e isso molda o emprego, o comércio e a cadeia produtiva que se espalha pela região.

Nos indicadores, aparece com PIB por volta de R$ 4,9 bilhões, PIB per capita na casa de R$ 40,9 mil e cerca de 33 mil empregos formais. A economia é bem concentrada em serviços (mais de 60%), mas a indústria tem papel decisivo (cerca de 20%), e a administração pública completa a base.

No trabalho formal, os sinais do polo aparecem direto: ocupações ligadas a linha de produção, comércio varejista e confecção/calçados estão entre as mais frequentes, e a fabricação de calçados figura entre as atividades que mais empregam.

E mesmo sendo uma cidade industrial, ela também é descrita como um lugar de alta regularidade de vendas ao longo do ano, com atenção para um potencial de consumo mais limitado e menor volume de “novas oportunidades claras” no curto prazo, o que é um recado típico de cidades muito especializadas: quando o setor principal oscila, o município sente.

Quando você compara as duas, não é sobre quem “vai melhor”. É sobre como cada cidade sustenta seu papel regional:

Tatuí puxa fluxo por cultura, educação e serviços, com indústria relevante e um calendário urbano que mistura economia e eventos.

Birigui puxa fluxo por produção e cadeia industrial, com comércio e serviços orbitando um setor que virou marca registrada.

No fim, são dois modelos de cidade média do interior paulista: uma que se projeta pela economia + cultura, outra que se projeta pela economia + indústria especializada. Ambas dependem de conexão regional para continuar funcionando como polo, sem perder a capacidade de oferecer emprego, serviços e infraestrutura para quem vive ali.

Nenhum comentário:

Postar um comentário