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Tatuí, 


quarta-feira, 27 de junho de 2018

Grupo Dolly pede recuperação judicial

Empresa declarou não conseguir pagar suas obrigações após bloqueio de bens; pedido ocorre após o fechamento de fábrica e demissão de 700 funcionários.


27/06/2018 - A empresa de refrigerantes Dolly entrou com um pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Recuperações Judiciais, alegando que este seria o único meio de tentar evitar a falência.

Em nota, a Dolly declarou que não está conseguindo pagar suas obrigações após o bloqueio de bens determinado pela justiça.

"Sem poder operar as próprias contas bancárias, a empresa não está conseguindo cumprir seus compromissos. Esta foi a única forma que restou para impedir a falência imposta pela Justiça Federal de São Bernardo do Campo", informou em comunicado.

O pedido ocorre após a companhia ter fechado sua fábrica em Tatuí, no último dia 18. Segundo a Dolly, o fechamento da unidade levou à demissão de 700 funcionários, resultado do bloqueio de bens realizado pela Justiça.

Investigações contra a empresa

O Ministério Público (MP) acusa a companhia de fraude fiscal estruturada, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Em maio, o dono da empresa, Laerte Codonho, ficou preso por oito dias suspeito de fraude fiscal.

De acordo com a Promotoria, a Dolly, comandada por Codonho, demitiu funcionários e os recontratou em outra companhia para fraudar o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo as investigações, o dinheiro desviado nos últimos 20 anos com a fraude é estimado em R$ 4 bilhões.

A Polícia Militar prendeu o dono da empresa de refrigerantes Dolly, Laerte Codonho, em sua casa na Granja Viana, em Cotia, na Grande São Paulo (Foto: Nelson Antoine/Estadão Conteúdo)


Segundo os promotores do caso, há pelo menos R$ 1,4 bilhão de créditos decorrentes do não pagamento de ICMS. Considerando ainda os débitos em âmbito federal, relacionados a sonegação de benefícios previdenciários, o dinheiro que teria sido desviado é estimado em R$ 4 bilhões.

A suspeita de sonegação impediu que as sedes da empresa em Tatuí e Diadema (SP) vendessem mercadorias, segundo a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.

A Dolly negou que tenha sonegado impostos e afirmou que foi vítima do escritório contábil que omitiu dados. Segundo a equipe de promotores, a empresa é "uma das maiores devedoras de impostos do estado de São Paulo", e que o esquema começou em 1998.

Em maio do ano passado, a empresa foi alvo da operação Clone, da Secretaria da Fazenda, que interditou a fábrica de Tatuí durante investigação de sonegação de impostos.

A empresa informou ainda que as unidades de São Bernardo do Campo e de Diadema estão funcionando normalmente, e que está tomando as devidas providências para desbloquear suas contas.

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