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Tatuí, 


sexta-feira, 29 de junho de 2018

Funcionários demitidos protestam em frente à empresa de refrigerantes Dolly em Tatuí

Segundo o grupo, os funcionários não receberam a rescisão e não conseguem retirar o FGTS. Empresa fechou no dia 18 de junho e demitiu 700 funcionários.

Por G1 Itapetininga e Região com edição do DT

Funcionários demitidos protestam em frente da empresa Dolly, em Tatuí (Foto: Adolfo Lima/TV TEM)

29/06/2018 - Funcionários que foram demitidos da empresa de refrigerantes Dolly, em Tatuí protestaram em frente à fábrica nesta sexta-feira (29). O grupo começou a se concentrar em um dos portões no período da manhã e impediu a saída de caminhões até às 17h.

Segundo a organização, no local estiveram 50 pessoas. A Polícia Militar não acompanhou o ato.

De acordo com o ex-funcionário Paulo Santos de Almeida, eles protestaram por não terem recebido a rescisão desde a demissão de 700 pessoas, que ocorreu no dia 18 de junho após a empresa alegar que precisou fechar a unidade por ter os bens bloqueados pela Justiça.

“Não recebemos nada ainda, nem rescisão e nem conseguimos pegar o FGTS. Então, queremos o que é de direito ”, diz.

A reportagem do G1 entrou em contato com a assessoria de imprensa da Dolly, que informou que a empresa está agora sob supervisão do juízo do Rio de Janeiro e ainda não houve liberação das contas apesar da decisão.

Ainda segundo a assessoria, acredita-se que a partir de terça estará tudo certo e que todos serão contatados.

Funcionários demitidos da fábrica da Dolly em Tatuí alegam que não receberam verbas rescisórias (Foto: Arquivo Pessoal)
Investigações

Em maio, o dono da empresa, Laerte Codonho, ficou preso por oito dias suspeito de fraude fiscal.

De acordo com a Promotoria, a Dolly, comandada por Codonho, demitiu funcionários e os recontratou em outra companhia para fraudar o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo as investigações, o dinheiro desviado nos últimos 20 anos com a fraude é estimado em R$ 4 bilhões.

Empresa Dolly suspendeu as atividades em Tatuí (Foto: TV TEM/Reprodução/Arquivo)

Segundo os promotores do caso, há pelo menos R$ 1,4 bilhão de créditos decorrentes do não pagamento de ICMS. Considerando ainda os débitos em âmbito federal, relacionados a sonegação de benefícios previdenciários, o dinheiro que teria sido desviado é estimado em R$ 4 bilhões.

A suspeita de sonegação impediu que as sedes da empresa em Tatuí (SP) e Diadema (SP) vendessem mercadorias, segundo a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.

A Dolly negou que tenha sonegado impostos e afirmou que foi vítima do escritório contábil que omitiu dados. Segundo a equipe de promotores, a empresa é "uma das maiores devedoras de impostos do estado de São Paulo", e que o esquema começou em 1998.

Em maio do ano passado, a empresa foi alvo da operação Clone, da Secretaria da Fazenda, que interditou a fábrica de Tatuí durante investigação de sonegação de impostos.

A empresa informou ainda que as unidades de São Bernardo do Campo e de Diadema estão funcionando normalmente, e que está tomando as devidas providências para desbloquear suas contas.

Desbloqueio de bens

O Tribunal de Justiça de São Paulo desbloqueou os bens da fabricante de refrigerantes Dolly após a empresa ter entrado com um pedido de recuperação na 2ª Vara de Recuperações Judiciais.

Os bens haviam sido bloqueados em meio a denúncias do Ministério Público de envolvimento da companhia com fraude fiscal estruturada, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

"As contas correntes devem ser desbloqueadas para permitir às recuperandas desempenharem suas atividades e realizarem novas contratações", diz a decisão do juiz Marcelo Sacramone.

Segundo a sentença, o desbloqueio das contas da Dolly não implica o desbloqueio dos valores já confiscados.

A sentença também determinou que a Eletropaulo não interrompa ou "restabeleça imediatamente" o fornecimento de energia elétrica nas instalações da companhia por falta de pagamento, sob pena de multa de R$ 50 mil em caso de descumprimento.

Sobre o pedido de recuperação, a Dolly declarou que não está conseguindo pagar suas obrigações após o bloqueio de bens determinado pela justiça.

"Sem poder operar as próprias contas bancárias, a empresa não está conseguindo cumprir seus compromissos. Esta foi a única forma que restou para impedir a falência imposta pela Justiça Federal de São Bernardo do Campo", informou em comunicado.

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