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Tatuí, 


domingo, 3 de junho de 2018

crônica / Ana Moraes

Um lar da caridade

No ano todo, o silêncio é uma prece nas redondezas do Lar São Vicente de Paulo, em Tatuí, uma instituição católica destinada ao repouso de coroas valiosas, joias que o brilho se torna cada vez mais intenso, conforme os anos passam. Uma construção aparentemente envelhecida por fora, mas que abriga em seu interior um espírito que nunca envelhece: o da caridade.

Mas existe um dia, por volta do mês de junho de todos os anos, que o silêncio consuetudinário é quebrado, e a prece se torna alegria e algazarra misturados a comes e bebes, tudo isso revertido para a manutenção dos trabalhos de valor inestimável realizado pelo Lar São Vicente de Paulo.

Eis a Festa da Caridade do Lar São Vicente de Paulo, iniciada com o romeiro Nicolau Eleutério, que outrora movimentava a zona rural da cidade e recebia romarias, levando mantimentos para o lar. O lar fica abarrotado de gente, tanta gente que se esparrama pela rua em frente.

Logo na entrada, é possível ouvir uma música embalante de raízes africanas saindo de uma roda de pessoas, onde no seu centro há um duelo de “danças” acrobáticas com cunho marcial.

Em meio as construções antigas do Lar, erigem-se estruturas metálicas para a montagem dos gabinetes de fichas, das barras de comes e bebes e para servirem de cobertura. A variedade de alimentos é enorme: os pastéis e sua massa delicada; os bolos e suas roupas com adornos edulcorados; os doces e suas surpresas ao paladar; os churros e sua forma inconfundível; o milho e suas delícias amareladas; os lanches preenchidos com múltiplos recheios e as bebidas adoçadas e embriagantes.

Tudo isso acompanhado de som alto regido pelos artistas que se apresentam em um palco construído em um canto do pátio do lar. As conversas alheias se mesclam entre si e um idioma falado simultaneamente por várias pessoas torna-se um idioma irreconhecível até para os mais fluentes nele. Ainda não criaram uma gramática para esse tipo de expressão linguística. Até os Santos espalhados pelo lar, não conseguem fechar seus olhos, de tamanha agitação.

É possível encontrar algumas joias raras que ficam espalhadas pela festa, algumas quietas, outras tentando fugir de seus assentos para inspecionar a festa. Aos amantes de bingo, também há uma cobertura para se brincar com a sorte embutida em bolinhas numeradas.

Assim, um trabalho maravilhoso é concretizado por todos os colaboradores, voluntários, profissionais e religiosos que sob a graça divina podem continuar fazendo com que essas coroas de valor incomensurável, possam ter um bom tratamento e boa qualidade de vida, podem brilhar cada vez mais, provando que o amor está acima de qualquer óbice.

A.M.O.R.
(Ana Moraes de Oliveira Rosa)

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