sábado, 16 de maio de 2026

artigo | Muito além da doença: o papel da Psicologia nos Cuidados Paliativos

Muito além da doença: o papel da Psicologia nos Cuidados Paliativos

Por Solange Bezerra Leal

Muitas pessoas ainda associam a expressão “Cuidados Paliativos” exclusivamente ao fim da vida. Esse é um dos maiores mitos da saúde moderna que precisamos desconstruir. Paliar não é “desistir”, mas sim oferecer uma camada de proteção e amparar quando uma doença grave surge no caminho de alguém.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), essa abordagem de cuidados visa a melhoria da qualidade de vida de pacientes e familiares diante de enfermidades que ameaçam a continuidade da vida.

E é justamente nesse cenário de alta complexidade que o olhar do psicólogo se torna elo vital. Nesse sentido, o psicólogo trabalha para resgatar a subjetividade do sujeito, permitindo que ele ressignifique suas vivências, trate o medo, a ansiedade e as questões da finitude com dignidade que todo ser humano merece.

Assim, o cuidado deve ser centrado na pessoa, não na doença. Cuidar de forma paliativa é oferecer uma assistência multiprofissional que olha para o indivíduo em suas dimensões física, social, psicológica e espiritual. É validar o sofrimento, mas também buscar possibilidades de bem-estar que ainda existem.

Nesse contexto, a família faz parte do processo, pois a doença não afeta apenas uma pessoa; ela reverbera em todo o núcleo familiar. O suporte psicológico é fundamental para que cuidadores e entes queridos também encontrem equilíbrio e consigam atravessar transições difíceis com menos trauma e mais suporte emocional.

O  psicólogo (a) nesse cenário requer estudo constante e uma formação específica, inclusive, o trabalho do psicólogo é respaldado por diretrizes como o guia  de “Recomendações de competências, habilidades e atitudes do psicólogo (a) paliativista”, elaborado  Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), com apoio de representantes de entidades como o Conselho Federal de Psicologia (CFP), Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia (SBPO), Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar (SBPH), entre outros.

Vale ressaltar que o trabalho do psicólogo (a) acima de tudo, requer o compromisso ético de compreender que, enquanto houver vida, deve haver cuidado. Valorizar a saúde mental e o amparo psicológico é um passo fundamental para uma sociedade que respeita a vida em todas as suas fases.

Referências:

Organização Mundial de Saúde (OMS)

Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP)

Solange Bezerra Leal – CRP 06/85160 (foto)

Psicóloga Especialista em Psicologia Hospitalar

Pós- graduada em cuidados paliativos

Membro da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar (SBPH)

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