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domingo, 3 de fevereiro de 2019

crônica | Ana Moraes


O condomínio mental

A nossa mente confusa vive em um caos eterno, imersa em uma briga sentimental que se não for controlada pode nos desabar. Já parou para pensar que a nossa mente até parece um prédio, isto é, um condomínio, cheio de andares. Em cada andar e seus respectivos apartamentos mora uma pessoa totalmente diferente, ou melhor, pensamentos totalmente diferentes.

Lembre-se que nós somos os síndicos desse prédio e nós devemos saber harmonizar a todos moradores. Quem decide quem mora nesses apartamentos somos nós mesmos durante a vida. No primeiro andar pode morar o amor. No segundo, nossas felicidades. No terceiro, a raiva importunando a nossas felicidades com suas festas despreparadas. No quarto, nossas frustrações, quietas e melancólicas e do lado das frustrações, nossas conquistas. Ás vezes elas duas ficam discutindo para ver quem leva a melhor. Entre esses vários andares estão distribuídos todos esses diversos moradores de natureza ímpar. No último andar moram nossos sonhos de onde eles podem vislumbrar toda a perspectiva da cidade e nos causam torpor. Sonhos que tocam as nuvens às vezes, outros que se esvaem com o vento.

Toda essa miscelânea é ativada quando as luzes de seus apartamentos acendem, assim podemos ver quem está acordado. Um detalhe: geralmente, pelo menos uma das luzes sempre está acesa. Aliás, têm condôminos que passam o tempo todo com a luz ligada e muitas vezes é prejudicial, porque a conta pode vir alta e todos têm que pagar por isso. Não queria dizer quem é que faz isso, por questão de ética, mas só para vocês saberem são as preocupações. Que varam a noite com a luz ligada e acordadas, fazendo vigília e depois quem paga são os condôminos. Nessas situações, o síndico tem que intervir para não criar problemas mais generalizados. Tem que sentar, conversar e pedir, pacientemente, que as preocupações se acalmem e parem de gastar energia. Muitas vezes não é fácil, mas não impossível.

No entanto, apesar dos prazeres e das dores, devemos sempre estar com as luzes ligadas, sejam elas boas ou más, fato que nos confirma a essência humana, a nossa condição vital: o preenchimento pela luz. Porque o dia que todas as luzes do prédio apagarem, o Dono do prédio virá e levará o seu síndico, com ou sem sua permissão e, além disso, recolherá todos os bens de todos os moradores e fará um balanço, analisando o progresso de cada um. Ao final, o síndico será julgado pelas suas atitudes e será conduzido ao seu devido lugar.

A.M.O.R.

(Ana Moraes de Oliveira Rosa)

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