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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

crônica | Ana Moraes


Um sapato perdido?!


Vira e mexe encontra-se um sapato perdido. Geralmente, encontram-se sempre o par, amigos eternos. Como um eterno elo matrimonial selado pela cola de sapateiro. Seja na rua, pendurado em um poste, na margem de um riacho, em um terreno baldio, em um lixo qualquer é possível encontrar um par de sapatos.

O mais desesperador é quando encontra-se apenas um. Sim, apenas um sapato, como se tivesse ocorrido um divórcio forçado pelo dono dessa junção. Como ficam as considerações e promessas feitas no altar do casamento, em frente ao sapateiro, exímio unificador de pares de sapatos? De estarem juntos na saúde e na doença? Tudo se esvai por força maior. A velhice chega e o desgaste lhe toma o corpo, dando-lhe ao molde do tempo, cicatrizes no couro, visíveis a todos, e fazendo de sua essência externa uma aberração. 

Mas um sapato, como ficará o dono? Manco, descambelhado, atabalhoado, aturdido em andar apenas em um sapato, enquanto o outro jaz por aí sem uso, sem rumo, sem prumo e sem alma. A imparidade desse andar não lhe torna incompleto no seu traje? Por isso, a essencial presença dos dois sapatos, para dar completude a forma como um todo. Pois sem um, o mundo é quase que perneta, cego, surdo e mudo.

A carência de alguém nos faz eternamente sozinhos, mesmo estando junto a tantas pessoas ao nosso redor, proporcionada pelos novos meios de comunicação. Por que precisamos, em meio a toda essa gente conectada nessa abundância de bits, de alguém ao nosso lado? Porque somos seres humanos. E essa companhia que nos fez ser o que somos hoje. A união nos fez ser forte. Principalmente, a união no amor.

Portanto, lembre-se que quando achar seu par, aquele par certo, não deixe que o separe de ti. Junte seus laços, ou melhor, os seus cadarços, e se for para viverem juntos, vivam, se forem para serem despejados por aí, sejam, mas que nada possa, jamais, matar o amor verdadeiro, bálsamo em escassez para as nossas almas em pleno século XXI. Época na qual os seres humanos sabem juntar átomos aos seus bel prazeres mas não sabem juntar nações, devido à grande incapacidade de compreender algo que parece até mentira, mas que vive na verdade, o simples e complexo amor.
A.M.O.R.
(Ana Moraes de Oliveira Rosa)

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