segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Participante do reality Estrelas da Casa, da Globo, estudou no Conservatório de Tatuí

O Conservatório 'deixou muitas raízes em mim', diz Peu Heise, nascido em Piracicaba (SP). Ao 22 anos, o artista concilia composição, produção e apresentações

Por Larissa Pandori, g1 Itapetininga e Região, com copidesque do DT

Peu começou a se interessar pelo piano quando tinha apenas três anos
Foto: Arquivo Pessoal

07/09/2026 07h14  |  Jogador de futebol, astronauta, astrofísico, veterinário... E que tal músico? Apesar de a música estar presente desde muito cedo na vida de Peu Heise, de 22 anos, por muito tempo ela foi vista apenas como uma paixão. Até que ele percebeu que poderia - e queria - transformar esse amor pela música em profissão.

Nascido em Piracicaba (SP), Peu conta que, quando "olhou para trás", percebeu que a resposta estava mais perto do que imaginava.

"De tudo isso, a única coisa que eu tenho a minha vida inteira é a música. E daí eu comecei a encarar de uma forma diferente, meio que deu um estalo, sabe? Eu ficava pensando em estudar outras coisas, mas, na verdade, estava embaixo do meu nariz o tempo inteiro", relatou ao g1.

O interesse começou quando ele tinha apenas 3 anos, especialmente pelo piano. Sem uma formação musical estruturada naquele primeiro momento, Peu aprendeu de maneira autodidata e desenvolveu a habilidade de tirar músicas de ouvido. Entre as primeiras peças que conseguiu reproduzir estava Für Elise, de Beethoven, quando tinha cerca de 7 ou 8 anos.

“Eu nunca realmente tive uma aula de piano mesmo, eu fui bem autodidata.”

Aos poucos, o piano ganhou a companhia de outros instrumentos. Peu também aprendeu a tocar violão, guitarra e baixo. Na adolescência, passou a buscar aulas, vídeos na internet e novas referências musicais.

"Comecei autodidata também, a pegar violão. Meu irmão me ensinou alguns acordes e eu peguei o resto, assim. Aí eu realmente fiz aula depois, por um período, com um amigo meu que também fazia curso no conservatório, o Diogo Jamal. E daí, por ele fazer conservatório, aí eu pensei, 'caraca,, acho que eu vou entrar também", relembra.

Do autodidata ao Conservatório de Tatuí

Foi por volta dos 16 anos que o Conservatório de Tatuí entrou definitivamente na trajetória do jovem artista. Peu conta que já havia tentado ingressar anteriormente, mas não passou na primeira prova. Depois, durante a pandemia, quando parte do processo foi realizado de forma remota, conseguiu entrar.

Ele estudou MPB e Jazz na guitarra e passou cerca de dois anos e meio na instituição. A experiência, segundo o músico, foi muito além de aprender novas técnicas.

“Eu acho que o principal que o conservatório me deu foi um pouco da disciplina. Eu lembro que, por exemplo, pra você entrar no conservatório, já é muito difícil, eu tive que estudar muito, e pra ficar no conservatório era mais difícil ainda. Eu estudava perto de 12 horas por dia, todo dia", relata.

Jovem de 22 anos que participou de reality show da Globo estudou no Conservatório de Tatuí
Foto: Mateus Aguiar

A rotina exigente fez com que Peu mudasse a forma como encarava a música. Para permanecer no curso, precisava estudar, tirar músicas, transcrever solos e se preparar constantemente.

"Eu tinha que tirar um monte de música, tinha que transcrever solo de jazz e tudo mais. Então, eu acho que o principal que o conservatório me deu foi realmente esse pontapé na disciplina, que, consequentemente, me tornou um músico profissional".

Embora tenha deixado o curso antes de concluir a formação, Peu carrega até hoje influências daquele período. O jazz, principalmente, permanece presente tanto no que ouve quanto no que produz.

“O conservatório deixou muitas raízes em mim.”

Hoje, o músico transita por diferentes estilos. Gosta de folk, rock alternativo e sonoridades experimentais. Nas próprias músicas, mistura essas referências com elementos de blues e jazz.

“Com certeza vieram do conservatório. Com certeza teve uma mãozinha ali que me guiou.”

Carreira profissional

Depois de deixar o Conservatório, Peu passou a se dedicar à produção e começou a lançar músicas profissionalmente. Ele produz grande parte do próprio trabalho e também divide processos criativos com outros artistas e produtores.

Para o músico, construir uma carreira na era do streaming exige uma palavra que ele repete algumas vezes durante a entrevista: constância.

"Eu converso diariamente com meus amigos músicos todo mundo já chegou na mesma conclusão que é muito questão de consistência. Você pode até fazer uma música sensacional, mas, se você não fizer outra mês que vem, é muito provável que você vai 'cair'", analisa Peu.

Mas criar por criar também não desperta o interesse do jovem, que diz buscar manter a qualidade em suas composições.

Eu produzo grande parte das minhas próprias músicas, muitas vezes eu produzo com o meu amigo, o Rafael Piccoli, e a gente vai tentando sempre lançar a máxima quantidade de músicas possível, sem perder a qualidade também."

O trabalho começou a trazer resultados. Antes do primeiro show com banda completa, Peu já havia se aproximado da marca de 80 mil ouvintes mensais nas plataformas digitais. Mas transformar números na internet em público diante do palco é outro desafio.

Recentemente, ele fez o primeiro show da carreira com uma banda completa, formada por cinco instrumentos, em um espaço em São Paulo: "Depois que você tem um público digital, transmitir esse público para o físico, para o presencial, é um trabalho.”

Recentemente, Peu fez o primeiro show da carreira com uma banda completa, em São Paulo
Foto: Serginho Carvalho

Um 'intensivão' de palco na Globo

A experiência mais recente de Peu diante de um público ainda maior veio com a participação no reality show Estrelas da Casa, da Globo, em agosto deste ano. O músico foi o segundo eliminado da edição, mas encara a participação como positiva e cheia aprendizados.

'Por exemplo, eles falam 'você vai tirar essa música pra apresentar', e aí você tem alguns dias para tirar aquela música, e performar. Essa dinâmica me lembrou muito do conservatório, na verdade. Porque era a mesma coisa. Naquela época, o professor falava 'ó, daqui a três dias você vai ter que tocar o solo do Charlie Parker de tal música. Eu nunca tinha ouvido a música. É muito 'intensivão'. Deu pra aprender muita coisa", avalia.

Para ele, participar do programa também trouxe uma visibilidade que dificilmente teria alcançado em tão pouco tempo.

“É um 'intensivão' de palco, 'intensivão' de performance. E, no geral, acabou sendo muito positivo pra mim porque me trouxe uma visibilidade imensa, novos fãs e gente pra me apoiar", celebra o músico.

Peu Heise estudou no Conservatório de Tatuí e participou do reality 'Estrelas da Casa', da Globo
Foto: Mateus Aguiar


Transformar paixão em profissão

Apesar de ter seguido um caminho bastante autodidata no início, Peu reconhece que ter acesso a uma instituição como o Conservatório de Tatuí foi decisivo para sua formação. Ele conta que já passou por escolas particulares e teve aulas com professores privados, mas destaca a qualidade da instituição pública.

“Sendo muito sincero, o conservatório, mesmo sendo de graça pra todo mundo, era melhor. É muito bom o conservatório. Quando eu decidi sair do conservatório, eu fiquei meio 'partido no meio', porque eu não sabia se eu tentava rearranjar o tempo, continuava e fazia minhas coisas, porque era muito bom, realmente me fez eu crescer muito.”

Para Peu, espaços de formação musical se tornam ainda mais importantes em um momento em que ferramentas tecnológicas, incluindo inteligência artificial, permitem produzir músicas, arranjos e composições com cada vez mais facilidade.

Na avaliação dele, justamente por isso, é necessário que os artistas conheçam profundamente a linguagem com a qual trabalham.

"Eu acho que agora, mais que nunca, as pessoas tinham que entender mais sobre música, como que funciona, quais são os estilos, o que determina, a teoria musical no geral. Acho que é muito importante pra um artista. O conservatório ajuda demais, demais nisso. É patrimônio extremamente importante", conclui Peu Heise.

Peu Heise durante apresentação no Conservatório de Tatuí
Foto: Conservatório de Tatuí/Divulgação

O Recente Sucesso: EP Me Queimei

Peu Heise lançou, em maio deste ano, o EP "Me Queimei". Em julho, o projeto ganhou uma versão Deluxe, com quatro faixas inéditas. As músicas abordam diferentes momentos de um relacionamento, desde o início do envolvimento até as consequências de se deixar levar pelos sentimentos.

A faixa "Without You" é a música de destaque do projeto e se aproxima da marca de 1 milhão de reproduções nas plataformas digitais. A canção também ganhou espaço nas redes sociais, onde Peu divulga conteúdos relacionados ao trabalho.

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