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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Jovem que motivou campanha na web para pagar dívida de hospital sai da UTI

Leslye Coelho, que ficou em coma, mora em Boituva e está internada com infecção generalizada. Família faz campanha para pagar despesas, que já ultrapassam R$ 150 mil.
Por Paola Patriarca, G1 Itapetininga e Região

Adolescente está internada em hospital de Sorocaba (Foto: Arquivo Pessoal)
A adolescente Leslye Coelho de 16 anos, que está internada há mais de 25 dias em um hospital particular de Sorocaba, saiu da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nesta segunda-feira (16) e foi para o quarto.

Leslye, que ficou em coma, está internada com um quadro de infecção generalizada, sem previsão de alta. Por conta disso, a família lançou uma campanha para tentar pagar a dívida do hospital, que já passa de R$ 150 mil.

O pedido da família, que mora em Boituva, mobilizou amigos, parentes e até comerciantes da cidade, que começaram a vender rifas, promover "pedágios" em semáforos, bingos e até uma "vaquinha" online para arrecadar dinheiro.

Segundo o pai da Valdecir Rodrigues Coelho, a saída da filha da UTI foi uma vitória para todos. “Estamos muito felizes porque agora ela está no quarto, consciente e fazendo gestos com as mãos. Ainda precisa de um aparelho de oxigênio, mas não está mais em coma induzido e estou confiante. Agora poderá receber mais visitas. Estou sem palavras”, diz.

Ainda de acordo com Valdecir, a ajuda de todos os moradores de Boituva e cidades do Brasil é o que dá força para ele e família.

“Eu não estou conseguindo acompanhar todo dia minha conta, mas a última vez que vi tinha muito dinheiro. Isso é muito gratificante. Nos dá força para acreditar”, afirma

Mobilização

A campanha na web para ajudar a família da adolescente a pagar a dívida acumulada com a internação também mobilizou diversas jogadoras de futebol, entre elas atletas que atuam na Seleção Brasileira, Santos e Corinthians.

A zagueira do Corinthians Ingrid Carolina Frisanco gravou um vídeo em sua rede social pedindo ajuda para a jovem. Ao G1, ela contou que tem família em Boituva e que se sensibilizou com a história da família.

“Eu vi a campanha na internet e resolvi ajudar de alguma forma com o vídeo e fazendo sorteio da minha camisa do Corinthians autografada. Quero visitá-la no hospital e dar todo o apoio”, diz.

Zagueira do Corinthians Ingrid Carolina aderiu à campanha para ajudar família de adolescente
(Foto: Arquivo Pessoal/Ingrid Carolina Frisanco)
As jogadoras do Santos Maria Alves, Kelly Rodrigues, Danielli Silva, Thais Picarte e Tayla Carolina também abraçaram a campanha e gravaram vídeos para ajudar a adolescente.

Os vídeos foram gravados a pedido da jogadora de Iperó (SP) Sabrina Aparecida Antunes de Oliveira, que mora em Boituva e também se sensibilizou com a história.

"Quando fiquei sabendo do caso da Leslye pensei em pedir para as jogadoras que conheço gravarem um vídeo. Pensei nisso porque todas têm influência nas mídias sociais e a campanha poderia ter mais pessoas querendo ajudar. Então, elas me mandaram os vídeos", conta Sabrina.

Além delas, a campanha também mobilizou a jogadora Bianca Castagnaro Moraes, goleira da seleção brasileira de futsal e que atua no time italiano Futsal Italiano Breganz, a lateral direita da seleção brasileira de futebol Leticia Santos, que atua em um time na Alemanha, e todas do time Leoas da Serra, campeãs da Copa do Brasil deste ano.

Já a jogadora do Rio Preto Mônica Bitencourt entregou uma camiseta autografada pelo time inteiro do Rio Preto, atual campeão Paulista 2017, aos pais da jovem. Para a família, é importante receber o apoio de todos.






Entenda o caso

O pai da jovem diz que tudo começou quando a filha sentiu uma dor de garganta e a família a levou ao pronto-socorro.

“Era um domingo e ela começou a sentir uma dor estranha de garganta, falta de ar e dor muscular. Levamos a Leslye ao hospital e o médico passou um remédio. No mesmo dia ela começou a ter dificuldade para deitar. Na hora já pensei em água no pulmão. Levamos de novo e falaram que não era. Depois de muito insistir, viram que era água no pulmão e que já estava com uma infecção generalizada em todo o corpo”, diz.

Adolescente de 16 anos está internada em hospital de Sorocaba (Foto: Arquivo Pessoal)
Segundo Valdecir, a filha ficou uma noite e um dia no hospital de Boituva, até que o quadro começou a piorar.

“Ela foi piorando e aí nos informaram que era preciso ela ir para a UTI porque estava muito grave, só que no hospital na cidade não tem UTI pelo SUS. Como ia demorar sair a vaga dela em algum hospital da região, resolvemos levá-la para um hospital particular de Sorocaba."

O pai conta que não esperava que a jovem teria que entrar em coma induzido e ficar por um período maior no hospital. Quando soube do custo da internação, todos da família ficaram desesperados.

"Eu não imaginava que ela ia ficar mais de 10 dias e que tudo ia piorar. Falaram que ela teve uma pneumonia gravíssima e uma infecção que afetou os rins por causa de uma bactéria autoimune. Afetou até a vesícula e o coração. Ficamos desesperados quando soubemos do quadro dela e que já estávamos devendo ao hospital mais de R$ 50 mil. Agora a dívida já ultrapassa os R$ 100 mil. Sabia que ia sair caro, mas dou até a minha vida para salvar minha filha”, afirma, emocionado.

Por conta da dívida crescente, a família decidiu pedir ajuda e começou uma campanha para arrecadar dinheiro.

Ajuda

O pedido da família fez com que amigos da adolescente, além de comerciantes da cidade, ajudassem na arrecadação.

Maikon Lopes, amigo da adolescente, resolveu criar uma “vaquinha online”. Em oito dias ele já conseguiu arrecadar R$ 10 mil. Até esta quinta-feira, o valor já ultrapassava R$ 35 mil.

“Os amigos dela estavam fazendo umas rifas, mas tinha gente querendo ajudar e não sabia como. Então, eu criei a vaquinha online para facilitar e agilizar devido o valor que a família está precisando”, conta.

Alunos da Etec de Tatuí fazem 'pedágio' para arrecadar dinheiro para adolescente internada
(Foto: Arquivo pessoal/César Salvador)

César Santos Salvador é estudante da Etec e conta que todos da escola onde Lesley estuda estão fazendo rifas, pedindo dinheiro nos semáforos e vendendo trufas. “Está todo mundo sensibilizado e querendo ajudar a família. Todo mundo empenhado em ajudar. Em poucos dias conseguimos R$ 2,5 mil. Estamos fazendo pedágios, bingos e vendendo trufas”, diz.

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