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sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Em Pilar do Sul, vítimas contaminadas com excesso de flúor na água passam por tratamento

Moradores de três bairros de Pilar do Sul e alunos de uma escola municipal apresentaram fluorose. Problema teria ocorrido em 2003; prefeitura e Sabesp foram condenadas pela Justiça a indenizarem vítimas.

Por G1 Itapetininga e Região, com edição do DT

Prefeitura de Pilar do Sul convoca moradores que sofreram com excesso de flúor em água

25/10/2018 | Os moradores de três bairros de Pilar do Sul (RMS) e alunos da Escola Municipal de Educação Fundamental Masajiro Ogawa, vítimas de água contaminada pelo excesso de flúor em 2003, estão sendo convocados pela prefeitura para fazerem tratamento odontológico devido aos danos causados pelo flúor.

O problema foi constatado quando a direção da escola denunciou o caso ao Ministério Público. No dia 4 novembro de 2013 foi obtido um acórdão condenando a prefeitura e a Sabesp pelos danos estéticos sofridos pelas vítimas, como manchas nos dentes.

Ainda segundo o MP, o excesso de flúor foi constatado por um laudo do Instituto Adolfo Lutz. O relatório apontou que a água fornecida em 2003 apresentava teor do produto acima do limite estabelecido pelo Ministério da Saúde.

À TV TEM, o secretário de Saúde Marcos Gois afirma que, para que as vítimas possam ser indenizadas, elas precisam apresentar documentos que comprovem o consumo da água e o surgimento da doença. “Para a sentença ser liquida a gente precisa que as comprovações sejam apresentadas e fundamentadas. Não basta dizer que morou e residia [nos bairros]. A prefeitura não tem como sair com a Sabesp liquidando essas ações se não for comprovado”, afirma.

O secretário diz ainda que mais de 30 pessoas já foram convocadas para fazer o tratamento odontológico, e que o município acompanha os pacientes.

Justiça condenou prefeitura de Pilar do Sul e Sabesp por excesso de flúor — Foto: Reprodução/TV TEM

Ação

Na época da denúncia, uma ação civil pública foi aberta para apurar as responsabilidades, já que várias crianças e adolescentes teriam apresentado o mesmo problema de saúde.

Com isso, a Justiça condenou a prefeitura e a Sabesp a oferecer tratamento médico a quem apresentou a doença. Além disso, a Sabesp teria que regularizar a situação do fornecimento.

Larissa Ribeiro Bueno, por exemplo, estudou na escola tinha 6 e tomou a água que era fornecida pela Sabesp. Segundo ela, a coloração da água chamava a atenção. “A água não era transparente, era branca como se fosse leite. Sempre chamou atenção. Eu tomei e me causou dores de cabeça e dores no dente”, diz.

No período em que ela ainda estava na escola, ela foi diagnosticada com fluorose, doença causada na boca pelo excesso de flúor.

Além dela, outros moradores também apresentaram o mesmo problema desde 2013, em pelo menos três bairros: Jardim Cananeia, Chácaras Reunidas e Barra.

Janaína Aparecida do Nascimento Munhoz Maia é advogada da Larissa e aguarda pela indenização da jovem. “Foi juntado ao processo dela essa fase de execução os requisitos que a sentença pedia, dentre eles que ela morava no bairro, que ela fez o tratamento fornecido pelo município, juntamos documentos que comprovam a doença”, afirma.

Questionada sobre o problema e sobre o processo judicial que responsabilizou a companhia pelo excesso de flúor que atingiu os moradores, a Sabesp negou que teria causado o problema e afirmou está aguardando decisão final da Justiça para adotar medidas cabíveis.

Caso foi denunciado pela direção da escola ao Ministério Público — Foto: Reprodução/TV TEM

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