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Tatuí, 


sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Celso de Mello, ministro tatuiano do STF, responde ameaça sofrida pela Corte

Celso de Mello:

“O discurso imundo, sórdido e repugnante do agente que ofendeu a honra da ministra Rosa Weber, uma mulher digna e magistrada de honorabilidade inatacável, que exerce, como sempre exerceu, a função judicial com talento e isenção, de modo sóbrio e competente, exteriorizou-se, esse discurso imundo e sórdido, mediante linguagem profundamente insultuosa, desqualificada, por palavras superlativamente grosseiras e boçais, próprias de quem possui reduzidíssimo e tosco universo vocabular, indignas de quem diz ser oficial das Forças Armadas, instituições permanentes do Estado brasileiro, que se posicionam acima das paixões irracionais e não se deixam por elas contaminar. Paixões essas que cegam aqueles que, a pretexto de exercerem a liberdade de palavra, que constitui um dos mais preciosos privilégios dos cidadãos desta República, resvalam para o plano subalterno da prática abusiva e criminosa da calúnia, da difamação e da injúria.

"O primarismo vociferante deste ofensor da honra alheia faz-me lembrar daqueles personagens patéticos que, privados da capacidade de pensar com inteligência, optam por manifestar ódio visceral e demonstrar intolerância radical contra os que considera seus inimigos, expressando na anomalia desta conduta a incapacidade de conviver em harmonia e com respeito, no seio de uma sociedade fundada em bases democráticas.

"Todo esse quadro imundo que resulta do vídeo abjeto que mencionei, vídeo esse que, longe de traduzir expressão legítima da liberdade de palavra, constitui ele próprio, verdadeiro corpo de delito comprobatório da infâmia perpetrada por referido autor das ofensas morais, leva-me a repudiar com veemência e a desprezar com repugnância tão desonroso comportamento em que incidiu o militar em questão. Não só para vergonha e ultraje de sentimento de decência que anima os cidadãos deste país, mas, sobretudo, para constrangimento da Força singular a que diz pertencer.”

Obs: A ameaça a que o ministro se refere é do coronel da reserva Carlos Alves, que diz falar em nome do candidato Bolsonaro.

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