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Tatuí, 


quinta-feira, 16 de julho de 2015

Delegada sai de férias e vítima relata descaso em DP: 'Me senti humilhada'

Do G1- A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Tatuí não funciona normalmente desde que a delegada entrou em férias, segundo uma moradora que procurou os serviços e que não quer se identificar por medo de represálias. Ela afirma que demorou sete horas, das 2h às 9h, para fazer um boletim de ocorrência contra o ex-namorado na delegacia central, que atende os casos com a ausência da delegada. Ela afirma ainda ter se sentido humilhada com o tratamento.

"Os homens desdenham da ocorrência quando é um registro envolvendo mulher. Meu ex-namorado me agrediu e me deixou sob ameaça por horas na minha casa. Consegui fugir, chamei a polícia e fui à delegacia. Mas quando eu percebi, os funcionários estavam conversando com meu ex e dando risada. Só faltou tomarem uma cerveja. Enquanto isso, fiquei esperando para dar meu depoimento porque eles estavam registrando outro boletim. É um absurdo, com certeza eles não estão preparados para este tipo de atendimento. Me senti humilhada", relata a vítima.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) nega falta de preparo e afirma que todos os policiais recebem treinamento para atendimento ao público em todos os tipos de ocorrência, e que em casos de desentendimento, o cidadão pode reclamar à Corregedoria que irá apurar os fatos. Em caso de comprovada a falha no atendimento, o responsável será punido administrativamente.

Na última terça-feira (14), a mesma moradora fotografou os portões da Delegacia de Defesa da Mulher fechados às 10h30. "Quando a gente precisa da proteção da DDM não encontra, passei e encontrei a delegacia fechada pela manhã. Só tinha duas mulheres regando as plantas. Não tem placas avisando que é uma delegacia ou horário de atendimento", lamenta.

A moradora Cecília Ceciliato também reclama da delegacia na cidade. Ela é representante do Grupo Coletivo de Mulheres Maria Angélica, e diz que as vítimas precisam de atendimento especial nos casos de violência doméstica. "Acredito que os funcionários possam estar sobrecarregados, assim como toda delegacia deve ser. Mas o problema não é ser atendida por um homem, e sim o despreparo para lidar com esses casos. O ideal seria que a DDM funcionasse em fins de semanas e durante as madrugadas", diz.

A SSP afirma ainda que a DDM está em novo prédio há cerca de um mês e, por isso, há falta de placas e que a mudança está dentro do prazo estabelecido. Mas segundo o órgão, o prédio estava aberto no momento do registro da moradora, já que funciona em horário comercial, de segunda a sexta-feira. A SSP não informou qual a data de retorno da delegada, nem a data para o fim da mudança na nova sede da Delegacia de Defesa da Mulher.
(Foto: Arquivo Pessoal)

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