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sábado, 28 de maio de 2011

Chegou ao fim a intervenção na Santa Casa de Tatuí

Transcrito do jornal O Progresso de Tatuí, edição de hoje

A chapa única formada pela provedora Naneti Walti de Lima e pelo vice-provedor Antônio Marcos de Abreu foi eleita para dirigir a Santa Casa de Misericórdia de Tatuí nesta quinta-feira, 26. A Assembleia Geral Extraordinária, realizada para a definição da nova diretoria do hospital, também marcou a posse dos eleitos e celebrou o término da intervenção municipal, iniciada em outubro de 2008.

Além de Naneti e Abreu, também foram eleitos e empossados: Alexandre Novais do Carmo, como secretário; Flávio José Hoffmann, como tesoureiro; e Nilson Alexandre Bordinhon, Márcio Segalla e Douglas Segalla, que assumirão o cargo de “mordomos”. O conselho fiscal ficará a cargo de Torelli Agnelli Júnior, Renato Pereira de Camargo e Aniz Eduardo Boneder Amadei.

A cerimônia foi curta, com discursos realizados apenas por Abreu e pela nova provedora. “Os funcionários ficaram apreensivos se haverão mudanças ou não. Porém, a troca será para melhorar. A nova diretoria está com vontade de trabalhar e tem experiência no setor”, destacou Abreu, que ocupou o cargo de interventor municipal. “Quero agradecer aos funcionários que fizeram parte da intervenção e à minha família. Tivemos uma melhora no atendimento e muitas dívidas pagas.”

A nova provedora, Naneti, tem uma experiência de 20 anos como presidente-fundadora de um grupo de estímulo à vida dos portadores de HIV. Ela disse que lutará para que a população sempre tenha um bom atendimento. “Minha gestão será pautada pelo diálogo. Vamos focar nos pontos fracos e seremos totalmente abertos. Eu vim para somar com a equipe da Santa Casa. Fico grata pela aclamação”, disse.

“Vou usar minha experiência na parte administrativa para continuar a humanização do atendimento na Santa Casa. Acredito que posso enxergar o ser humano que necessite de amor e carinho, e não preconceito. Vamos dar carinho a quem está doente”, completou.

A intervenção municipal, que terminou na quinta-feira, 26, pode ser classificada como “um período bastante difícil para a saúde municipal”. No dia 31 de outubro de 2008, o prefeito Luiz Gonzaga Vieira de Camargo anunciou o começo do processo de intervenção na Santa Casa. O principal motivo foi o fechamento da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital. Naquele momento, a pessoa escolhida para ser o interventor foi o farmacêutico Antônio Marcos de Abreu. À época, ele também ocupava o cargo de presidente do Conselho Municipal de Saúde e tinha a confiança do chefe do Executivo.

Na noite do mesmo dia em que assumiu a gestão, Abreu reuniu-se com funcionários e médicos da Santa Casa e garantiu “normalidade do atendimento à população”. Conforme a Prefeitura divulgou na ocasião, na mesma noite, a UTI já estava reaberta, inclusive com a internação de um novo paciente. Na segunda-feira da semana seguinte, os oito leitos da UTI da Santa Casa estavam ocupados.

Segundo Gonzaga, em entrevista concedida à imprensa naquela época, a instituição “vinha descumprindo metas estabelecidas em convênio com a Prefeitura”. Ainda conforme ele, a então provedoria informou à municipalidade que a UTI seria fechada temporariamente por meio de um ofício. O motivo, embora não tenha sido esclarecido oficialmente, seria a péssima saúde financeira da instituição e os altos custos necessários para manter em funcionamento a unidade.

“Nós estamos caminhando no rumo certo com o encerramento da municipalização. Antes, muita gente duvidava do resultado. Provamos que com a união e bons propósitos o sucesso não deixa de vir”, ressaltou o prefeito. “Ninguém esperava que a UTI seria fechada. Se naquela época fomos forçados a tomar alguma atitude, hoje eu vejo um trabalho muito bem feito. Porém, ainda necessita de melhorias”.

SAÚDE FINANCEIRA

No final da cerimônia de posse, o agora vice-interventor Abreu afirmou aos funcionários presentes que eles receberão um CD contendo o “Relatório de Gestão 2008/2011”. Nele, estão os trabalhos realizados pela diretoria. Foram diversas reformas, dentre as quais, estão: a reconstrução dos dutos de esgoto, a construção da maternidade e reformas urgentes, como a neutralização no aparecimento de trincas no prédio do hospital.

Financeiramente, conforme os dados apresentados por Abreu, a Santa Casa possuía R$ 342.634 em dívidas trabalhistas (férias, 13º salário, cesta básica, horas extras e aviso prévio). Também foi acumulado o total de R$ 3.592.481,20 pela falta de recolhimento do INSS (Instituto Nacional de Seguro Social) pela diretoria anterior à municipalização. Além disso, somam-se o não pagamento do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), PIS e Imposto de Renda.

O hospital também acumulou dívidas com a Sabesp (Companhia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo), de R$ 2.268.062,66, e com a concessionária Elektro, de R$ 1.140.187,72. Pelas contas apresentadas no Relatório de Gestão, o montante da dívida gerada pela Santa Casa alcançou o valor de R$ 9.120.840,82.

De acordo com o vice-interventor, todas as dívidas foram negociadas, parceladas e são pagas pela administração do hospital. Ele também destacou que a Santa Casa não gerou déficit enquanto ele esteve no comando da entidade.

Para quitar as dívidas, Abreu optou por parcelar a quantia referente ao INSS, FGTS e débitos em dívida ativa com a União (Imposto de Renda, PIS e multa trabalhista) em 180 meses. O acordo com a Sabesp terminou com 99 parcelas, e com a Elektro em 167 mensalidades. As demais dívidas, apontou o relatório, também foram parceladas.

“Nós refizemos os acertos trabalhistas e reparcelamos as dívidas, mas ainda tem muita coisa para ser feita. Nós ainda continuamos pedindo colaboração. A equipe aqui é essencial e não é fácil gerir a Santa Casa, mas sempre tivemos uma democracia”, contou Abreu.

MAIS FUNCIONÁRIOS

Na sessão ordinária de terça-feira, 24, os vereadores aprovaram um projeto de lei do Executivo que autoriza a Prefeitura a ceder seis funcionários, incluindo Abreu, para a Santa Casa de Tatuí. A pedido do vereador José Maria Cardoso Filho (PR), o Zétakão, os parlamentares votaram o projeto em dois turnos.

“Fiz isso pelo fato de a Santa Casa necessitar de funcionários. Por causa disto, o segundo turno, para ser mais rápido, senão demoraria 15 dias para ser votado de novo. A Santa Casa necessita e tem um contrato que deixa bem claro que nenhuma destas pessoas terá um déficit no salário”, declarou Zétakão.

“A Santa Casa não é dos vereadores, não é do prefeito, mas de todos os munícipes. E de toda a região, pois o hospital atende ocorrências das cidades vizinhas”, concluiu.

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